De Carauari para o mundo, Zezinho Corrêa, o maior artista amazonense, parte ao 69 anos

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José Maria Nunes Corrêa, um amazonense da comunidade de Imperatriz, em Carauari, transformou-se ao longo dos anos em Zezinho Corrêa e foi o artista local que mais sucesso fez no planeta. Nos anos 90, a toada  “Tic Tic Tac”, composta pelo parintinense Braulino Lima, alcançou o primeiro lugar em paradas europeias na voz dele, que comandava o grupo Carrapicho, banda surgida no final dos anos 70. Hoje, o Amazonas chora sua partida, vítima da pandemia da Covid-19, aos 69 anos de idade.

Zezinho passou os últimos 31 dias lutando pela vida no hospital Samel. Chegou a superar a intubação, mas teve o estado de saúde agravado novamente e hoje não resistiu. Sua permanência por tanto tempo internado gerou uma série de boatos sobre sua morte, sempre desmentidos pela família. Hoje, entretanto, o tambor que batia em seu peite silenciou.

O cantor deixou o Amazonas nos anos 70 para fazer o curso de formação de atores no Rio de Janeiro, aonde estudou interpretação, dança e até esgrima. Não chegou a concluir a formação, porque foi chamado pelo escritor Marcio Souza para trabalhar no Teatro Experimental do Sesc. Foi ali, em 1980, a partir de um projeto, que ele aderiu à banda Carrapicho, criada dois anos antes pelo músico Roberto Bezerra de Oliveira “Bopp”. Foi a partir dali que começou a saga, que ganhou o mundo anos mais tarde.

Em 1996, um produtor francês, Patrick Bruel, ouviu a toada Tic, Tic Tac na versão do grupo e decidiu lançá-la na França, tornando-se um dos maiores sucessos na Europa, e no Brasil, pois a música ficou na posição 34 das 100 músicas mais tocadas do ano de 1996 no país.

Foi depois de explodir na Europa que a Carrapicho, Zezinho à frente, foi “descoberta” pelo Brasil. Foi no programa Domingo Legal, do SBT, ainda apresentado por Augusto Liberato (o Gugu), que eles surgiram. O apresentados foi passar férias no verão europeu, na França, e os convidou para participarem de seu programa no ano de 1996. O grupo revelou-se um bom desempenho de público com suas canções na batida do Boi Bumbá, recebendo boas críticas do público.

A banda chegou a vender 15 milhões de discos e foi fundamental na divulgação do Boi Bumbá de Parintins no país e no mundo. Na esteira dela, vários artistas de Garantido e Caprichoso apresentara-se mundo a fora.

Zezinho também investiu em carreira solo, produzindo projetos musicais. Entre os destaques estão a sua participação no musical “Boi de Pano”, durante o Festival Amazonas de Ópera de 2000; a gravação do seu CD solo no ano de 2001, no Teatro Amazonas e a participação no musical de Natal “Ceci e a Estrela”, em 2017.

Em 2020, Zezinho estrelou campanha do Governo do Estado em homenagem aos profissionais de saúde, que atuaram na linha de frente do combate à pandemia de Covid-19, interpretando a música “Um Novo Tempo”, de Ivan Lins, no palco do Teatro Amazonas.

No dia 21 de dezembro de 2020, o cantor subiu ao palco do Teatro Manauara com o show “Banho de Frevo – Zezinho Corrêa canta Elba Ramalho”; e no dia 28 de dezembro, o cantor participou do lançamento online do livro “Eu Quero é Tic, Tic, Tac”, escrito pelo jornalista e produtor cultural Fabrício Nunes em homenagem à carreira de Zezinho. O lançamento foi transmitido do Centro Cultural Palácio Rio Negro.

Zezinho Corrêa também servidor do Sesc Amazonas, onde chegou a assumir a coordenação do Departamento Cultural. Em dezembro de 2020, foi lançada sua biografia “Eu quero tic, tic, tac”, escrita pelo jornalista Fabrício Nunes.

Zezinho deixa como legado seu indelével trabalho nas artes, seja na música, no teatro ou na articulação cultural, e imensas saudades para todos os fãs que o conheceram e se encantaram com sua voz e a força do tambor que batia.

Repercussões

“Perdemos hoje um dos principais ícones do Amazonas. Com sua voz única e carisma sem igual, Zezinho Corrêa representou nossas raízes e cultura mundo afora. Que Deus o receba com glórias em sua morada e conforte os corações de familiares, amigos e fãs”, escreveu o governador do Amazonas, Wilson Lima, em suas redes sociais.

“O coronavírus calou hoje uma das principais vozes da nossa cultura. Aos familiares, amigos e fãs de Zezinho Corrêa, toda a nossa solidariedade. Que Deus seja o conforto nesse momento de dor. Com a sua partida, reforço a todos os manauaras o alerta: vamos nos proteger e cuidar de quem amamos. A pandemia ainda não passou. Que Deus abençoe a todos”, afirmou o prefeito de Manaus, David Almeida.

O vice-prefeito, Marcos Rotta, também lamentou a morte do cantor e afirmou que seu nome está marcado para sempre na história da cultura amazonense. “Esse vírus traiçoeiro silenciou uma grande voz do Amazonas, um artista que levou alegria, cultura regional e o nome do Estado para todo o Brasil e até rompeu as fronteiras nacionais, conquistando outros países. Seu nome para sempre estará marcado na história da cultura amazonense. Rogo a Deus, misericordioso, que dê entendimento e conforto no coração de familiares e amigos”, disse o vice-prefeito Marcos Rotta.

“Hoje perdemos um grande artista, um artista que certamente deixa seu nome marcado na história da cultura do nosso Estado. Um dos nossos maiores representantes, que levou o nome e a Cultura do Amazonas para o mundo inteiro, através de seu talento, de seu carisma e de sua voz encantadora. Perco também um grande amigo, uma pessoa que faz parte da minha história como artista e como ser humano. Nosso coração se entristece, o céu certamente o recebe com alegria e o Amazonas fica um pouco mais triste”, destaca o secretário de Cultura e Economia Criativa, Marcos Apolo Muniz.

O diretor-presidente da Manauscult, Alonso Oliveira, também se solidariza com os familiares e amigos do artista e reconhece essa enorme perda para a cena cultural da capital. “Zezinho nos deixa com saudades, mas com a certeza de que sua marca na cultura amazonense será eterna. Por meio do seu talento, seu carisma levou a música de Manaus ao mundo e, nós, como cidadãos amazonenses somos gratos a isso. Seu nome está gravado na história da Manauscult como um grande parceiro colaborador e incentivador da nossa cultura”, destacou Alonso.

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Este post tem um comentário

  1. Francisco Humberto A Machado

    Béla explanação da Vida e Carreira Vitoriosa de Zezinho Correia..

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