O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), está em plena campanha para tentar chegar ao Governo do Estado na eleição de outubro. Mesmo dizendo que ainda dedica parte do seu tempo à gestão da cidade – ele permanece até o início de abril no cargo -, o político tem usado todo o tempo livre para fazer articulações principalmente com lideranças do interior. E também já definiu a estratégia que utilizará: postura de opositor ferrenho do governador Wilson Lima (União) e discurso definido em relação aos adversários Omar Aziz (PSD) e Maria do Carmo (PL).
David reconhece que não tem a apoiá-lo prefeitos do interior. Todos estão com Omar. Por isso tem recorrido a ex-prefeitos, vereadores e ex-candidatos. “Em 2018, quando disputei o Governo pela primeira vez, tinha bases em no máximo 20 municípios. Agora já tenho estrutura em 57”, diz ele. A vantagem do adversário no interior também é minimizada por ele lembrando da eleição que ocorreu há oito anos, quando os dois foram candidatos ao Palácio da Compensa. “Naquele ano eu tive 24% dos votos e fiquei em terceiro lugar (a disputa foi vencida por Wilson Lima, com o falecido Amazonino Mendes em segundo lugar), enquanto ele, apoiado por vários prefeitos, inclusive o da capital (Arthur Virgílio Neto), teve um terço dos meus votos”, recorda.
Sutilmente, David tem adotado a estratégia de colar Maria do Carmo na chamada “velha política”, que ela tanto ataca. Para isso, tem se referido a ela como Maria do Carmo Lins, destacando o sobrenome da família que tem alguns dos mais antigos políticos em atividade no Estado, como os irmãos Átila e Belarmino Lins. A pré-candidata do PF usa o sobrenome Seffair, que traz de nascença. Ela é casada com Wellington, irmão de Átila e Belão. O prefeito vai tentar colar nela o rótulo de representante de uma dinastia de políticos.
Mas é Wilson Lima o principal alvo do prefeito. Ele já decidiu, por exemplo, que não restabelecerá a relação pessoal nem política com o vice-governador Tadeu de Souza (Progressistas). É uma forma de tentar se redimir com a população por ter indicado este último para o cargo quando decidiu apoiar a reeleição do governador em 2022. Por entender que o ex-aliado está muito desgastado, David se posicionará como principal opositor dele, torcendo ainda para que o presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade (União), seja mesmo o vice de Omar Aziz na campanha.
“Wilson não tem legado. Em oito anos não construiu um hospital, uma maternidade, uma grande escola. E teve mais de R$ 200 bilhões para administrar. Desistiu de disputar a eleição porque sabe que não teria a menor chance. Não tem o que mostrar”, ataca.
A relação entre os dois deteriorou-se depois da eleição de 2022. Wilson decidiu revogar a maioria dos convênios que mantinha com a Prefeitura, afastou-se do prefeito e lançou candidato em 2024. Tudo por conta de conflitos ocorridos ainda durante a campanha para o Governo. No final do ano passado houve uma reaproximação. Os dois chegaram a conversar, mas David condicionou um realinhamento ao pagamento dos “atrasados”. Não vingou.
O governador ensaiou lançou o vice, Tadeu, para o Governo e disputar o Senado. Recuou desconfiado de que os dois velhos amigos da zona Sul poderiam estar tentando enganá-lo e estariam juntos no processo eleitoral.
David aposta que, em abril, números reais vão dar a verdadeira dimensão do que ocorrerá na campanha para o Governo. E garante que não recua da decisão de renunciar à Prefeitura para concorrer.
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