Por Miquéias Fernandes*
Com as fases das operações da lava-jato, podemos ver que dos valores roubados, foi encontrada uma pequena parcela que estava guardada pelos ladrões e fraudadores, a maioria em paraísos fiscais e trazidos de volta ao país, porém, em alguns casos, nada foi tomado dos ladrões para ser devolvido ao povo.
Interessante ainda, é ver que nessas operações executadas em Estados da Federação – vemos a tentativa, por todos os meios, de manter encarcerados os delinquentes e ladrões da coisa pública, no entanto, ações imediatas para recuperar o que foi subtraído não são propostas, ou quando são, não se tornam efetivas, pois, muitas vezes fundamentam-se em meras suposições e não em bens realmente encontrados através de uma investigação séria e eficaz.
Os investigados ou presos que não têm como explicar os bens que adquiridos, que praticamente surgiram de forma “mágica”, são os fraudadores de licitações, assaltantes dos cofres públicos, que o fazem de maneira sub-reptícia usando de astúcia, aqueles que não possuem recursos, mas ao se apoderarem de um cofre público, aumentam seu patrimônio de forma astronômica, como os lavadores de dinheiro ilícito surrupiado dos cargos que lhe foram entregues no executivo ou no parlamento, ou seja, de deputado, de governador, de prefeito, ou de secretário de qualquer título, que passam a ostentar, sinais exteriores de riqueza e não sofrem dos órgãos públicos o acompanhamento, a verificação de onde estão vindo os recursos que andam aplicando e ostentando, que despertam atenção e demonstram, sobejamente, que sabemos ser propinas e outras formas de roubalheira e apropriação do bem público.
É interessante anotar que essas figuras têm na sua formação, a falta de princípios éticos e morais que os impede de avaliar o que estão fazendo de danoso para com o povo. Estes indivíduos são corruptos e corruptores natos! Não sentem a mínima vergonha dos atos que praticam, e são nocivos à sociedade como um todo. E temos até ação tragicômica, onde, em seus sentimentos de culpa é demonstrado, como uma piada religiosa, pois, o roubo que praticou, ele associa com se fosse um simples pecado, e portanto, perdoável, que pode ser passado uma esponja nele e jogá-lo no mar do esquecimento, consequentemente, aquela sociedade religiosa onde ele atua, tem que conviver com essa visão complacente dos desvios de caráter, mesmo se forem condenados pela justiça, e os amigos têm de ajudar a reintegrá-los na sociedade, que deve recebe-lo como se nada tivesse acontecido, e pior, tem que aplaudi-los como benfeitores das traquinagens, propinas e roubos que praticou, pois, distribuiu um pouco com aquela comunidade. E verdadeiramente, em muitos casos, são recebidos até com honras.
Meus amigos, isso precisa mudar! E a mudança só acontecerá se houver pressão da sociedade. Ressalto aqui, que a sociedade se acostuma com este “estado de coisa”, pois, chegam a demandar os que não possuem recursos como os verdadeiros corruptos, demandando-os “… porque todos os candidatos têm recursos e o senhor não tem”, sem atentar que nos proventos de um vereador, de um deputado, de um senador, não existem valores para distribuir entre os eleitores.
Com a lava-jato, as maiores Construtoras brasileiras esclareceram como pagavam as propinas aos políticos corruptos e outros menos notados, um Ministro do Superior Tribunal de Justiça que se dedicou a ser um especialista no combate a corrupção e lavagem de dinheiro, afirmou durante uma entrevista concedida ao Correio Brasiliense: “Não há organização criminosa que sobreviva sem a participação direta ou indireta de um agente público ou de um agente político”. As propinas pagas pelas construtoras eram de tal grandeza, que o homem comum, até agora, não consegue aquilatar os valores expressos no noticiário dos jornais e da mídia em geral.
Muitos destes corruptos são tratados como benfeitores da sociedade, e não vai longe o tempo que foi popularizada a expressão “rouba, mas faz”, que era dita em defesa de um governador do Estado de São Paulo, pelas obras que realizava, e esta frase expressa a verdadeira concepção do povo, ou seja, pode roubar, contanto que faça alguma coisa, que distribua um pouco do roubo. É o fim de uma sociedade e de um povo!
Infelizmente no nosso amado Estado do Amazonas, mesmo com a mudança dos hábitos na coisa pública, continuam os escândalos de paradas de ônibus com custo superior a R$ 200.000,00 (duzentos mil reais); escândalo no pagamento do transporte escolar; serviço caótico na saúde e outros mais. Vamos esperar que a melhoria na educação do povo brasileiro nos permita ver a punição dos corruptos e corruptores e ainda, dias melhores para o nosso Brasil.
Volto na próxima quinta-feira, querendo DEUS.
*O autor é advogado
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