Coronavírus atinge os indígenas

A pandemia do novo coronavírus, o Covid-19, está se espalhando em todo estado do Amazonas, vitimando a população do interior, ribeirinhos e agora também os indígenas.

Esta semana completa um mês desde o primeiro caso da doença no Amazonas. Conforme a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), até ontem (14), já tinha 1.484 casos confirmados de pessoas contaminadas e 90 mortes. São 149 pessoas internadas com o teste confirmado e tem ainda 537 internados que aguardam resultados. Do total de contaminados, 189 são do interior do estado.

A maioria dos casos do interior são de Manacapuru. Mas há também pessoas contaminadas em mais 15 municípios (Itacoatiara, Iranduba, Parintins, Santo Antônio do Iça, São Paulo de Olivença, Tonantins, Tabatinga, Anori, Careiro da Várzea, Novo Airão, Presidente Figueiredo, Boca do Acre, Careiro Castanho, Manicoré e Tefé).

E agora, os indígenas também estão sendo contaminados e morrendo. No Brasil, existem cerca de 800 mil indígenas, acompanhados por 34 Distritos Sanitários de Especiais Indígenas (DSEIs), segundo o Ministério da Saúde. A maioria está na Amazônia. No Amazonas, estima-se quase 200 mil indígenas vivendo em inúmeras terras já demarcadas e outras em processo, mas muitas sofrendo assédios e invasões por parte de madeireiros, garimpeiros e atividades ilegais.

A FVS informou que um indígena da etnia Kokama, de 44 anos, que não tinha relato de comorbidade, veio de São Paulo de Olivença para Manaus, onde recebeu assistência, mas não resistiu e foi a óbito no último dia 9. Em no dia 11, outro indígena com diagnóstico confirmado, de 78 anos e com histórico de hipertensão e cardiopatia, também não resistiu.

A primeira indígena confirmada foi uma agente de saúde de 20 anos, moradora de Santo Antônio do Iça. Depois dela, outras cinco pessoas contraíram o vírus. São vários indígenas da etnia Tikuna, vítimas da doença. Por isso, técnicos da Sesai monitoram outros 24 casos suspeitos.

Segundo o DSEI do Alto Solimões, nessa região existem cerca de 70 mil indígenas que necessitam de atenção e cuidados especiais para não serem contaminados. Em Roraima, um adolescente de 15 anos de idade, da etnia Yanomami, morreu na semana passada.

E na mesma semana o Greenpeace, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e mais de 100 instituições da Amazônia emitiram um manifesto de alerta ao Governo Federal para cobrar ações emergenciais contra o Covid -19 nas áreas indígenas.

O Governo Federal prometeu que iria destinar recursos para atender os indígenas. A ministra Damares, de passagem por Manaus, prometeu a entrega de 60 mil cestas básicas (não disse como entregaria). Além disso, foi anunciado pelo Ministério da Saúde a construção de uma hospital de campanha em Manaus para atender 200 indígenas. Estamos aguardando as ações prometidas.

No dia 27 de março, junto com outros deputados dos estados da Amazônia, apresentei o Projeto de Lei Nº 1142/2020, que cria medidas urgentíssimas de apoio aos povos indígenas em razão do Covid-19. O projeto prevê que enquanto perdurar o decreto de calamidade pública, devido a pandemia, seja garantido um auxílio emergencial de um salário mínimo para toda família indígena, além de ações de assistência social e de segurança alimentar para todos os indígenas do país.

Também estamos defendo a ampliação emergencial do número de profissionais de saúde indígena, garantias de testes rápidos, atendimento diferenciado, medidas restritivas de circulação nas terras e aldeias indígenas, cobranças de mais recursos e parcerias com estados e municípios.

Na Frente Parlamentar de Defesa dos Povos Indígenas, do qual sou um dos coordenadores, juntamente com a deputada Joênia Wapichana, de Roraima, estamos analisando esse projeto e mais três que também foram encaminhados para cobrar agilidade na tramitação e aprovação.

Há muita promessa de recursos e ações do Governo Federal para atender os povos indígenas. Mas o Governo é muito lento. E as estruturas da Funai e Sesai estão muito precárias. Por isso, diversos especialistas da área da saúde alertam para o risco do vírus se alastrar e virar um genocídio dos povos indígenas.

Vamos lutar para isso não acontecer.

 

Qual Sua Opinião? Comente:

Deixe uma resposta