Convulsões sociais

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Reações populares tomam conta de  praças e ruas de alguns países sul americanos como sinais e sintomas de insatisfação social ora, contra o arrocho salarial, passando pelo aumento de impostos, de combustíveis e de transporte público ora, contra a falta de implantação de políticas públicas que garanta saúde, educação e segurança públicas de qualidade.
Corrupção de políticos, roubo aos cofres públicos, desvios de caráter e de comportamento social e até moral, nada disso derruba governos e desencadeia reações a ponto de ensejar uma convulsão social de proporções tais que permitam uma revolução popular com consequente queda de governantes.

Entretanto, inflação galopante, arrocho salarial, elevação ou criação de novos impostos, aumento de custos com combustível e transportes, desemprego generalizado e paralisia dos agentes públicos ante esses fenômenos, estes sim, levam a sociedade organizada ou não, a reagir tendo como estopim qualquer mecanismo que possa desencadear uma reação popular como que o efeito produzido sobre uma mola pressionada contra a parede por uma mão e que de repente seja solta.

O que ora se passa no Chile, no Equador, na Argentina, na Bolívia e na Venezuela, são alguns exemplos desses levantes e reações sociais visíveis e que não respeitam ideologias ou posições políticas dos governantes sejam estes liberais, de esquerda ou de direita.

A história tem provado, que dói mais no povo mexer no seu bolso do que saber se este ou aquele governante é honesto ou não, se comete desvios sociais, se é uma pessoa amoral, ou se está envolvido em falcatruas ou metido em grossa corrupção; Lula, o presidiário, é um belo exemplo de que para o povo, o cabra pode até roubar mas se ele souber empreender e se distribuir riquezas ainda que míseros tostões em forma de bolsa, terão a eterna gratidão e jamais serão incomodados, até porque, quem protagoniza levantes e reações sociais é a classe média, esta que mais sente o peso doloroso em seu orçamento quando este aperta.

Coloquemos, enquanto país, as barbas de molho porque apesar de inflação sob controle, o custo país é altíssimo, a taxa de desemprego é elevada e pagamos um dos mais caros preços pelos combustíveis e pela energia elétrica e, consequentemente, pelo transporte público, entre os países em desenvolvimento, portanto, obviamente, que não estamos imunes seja por motivações de ordem econômica ou político ideológica a um levante social.

Há ainda que se chamar ao juízo nosso Poder Judiciário essa casta de onze supremos senhores, os quais continuam a olhar pro país e suas mazelas apenas pelo retrovisor como quem diz -tô nem aí!, como se donos fossem da nação e como se não pudessem ser alcançados por uma onda de protestos pelas idas e vindas em decisões eivadas de controvérsias e de questionáveis fundamentações jurídicas como se fossem os donos da última palavra. Alto lá! senhores ministros que o barulho pode aumentar se vossas excelências continuarem a manter essa cara de paisagem e se se mantiverem de nariz empinado ante o clamor das ruas.

O recado tá dado.

Té logo!

PS. Hoje, Dia do Servidor Público, rendo uma justa e honrosa homenagem a todos os colegas que como eu, executam no dia a dia um dos mais sublimes misteres que é o de servir aos cidadãos com suas profissões e seus conhecimentos técnicos e administrativos.

Parabéns pelo dia especialmente aos servidores da Fundação Alfredo da Matta instituição que me acolheu há quarenta anos atrás e fonte do meu aprendizado profissional e dedicação enquanto gestor da saúde.

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