Comissão de Direitos Humanos do Senado ataca operação da Polícia Federal no Sul do Amazonas: “uso desproporcional da força”

Indícios de uso desproporcional da força, danos ambientais e impactos sociais e psicológicos sobre a população ribeirinha, especialmente crianças e adolescentes constam do relatório preliminar da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado Federal , resultado da diligência externa realizada nos municípios de Humaitá e Manicoré, no Amazonas, para apurar denúncias de violações de direitos humanos decorrentes da Operação Boiúna, deflagrada pela Polícia Federal em setembro de 2025 no Rio Madeira.

A diligência do Senado a esses dois municípios , no mês passado, foi integrada pelos senadores Plínio Valério (PSDB-AM), autor do requerimento para investigação local da operação , e Damares Alves, presidente da CDH.

O documento assinado por Damares , relata o uso excessivo da força, destruição de moradias e impactos humanitários durante a operação. O documento divulgado hoje pela senadora Damares Alves mostra que entre as principais constatações estão o lançamento de mais de 1.500 explosivos, destruição de moradias flutuantes, suspensão de aulas de quase 10 mil alunos, contaminação das águas e relatos de traumas e pânico coletivo durante as ações policiais.

O relatório também cita possível presença de estrangeiros na operação, o que levantou questionamentos sobre soberania nacional.

_ Foi uma diligência importantíssima para ouvir e socorrer os desabrigados dos flutuantes destruídos em uma operação executada com requintes de crueldade, sem nenhuma preocupação com o impacto social, comercial e humano _ ressaltou Plínio Valério.

A diligência contou também com o apoio do deputado Dr. Fernando Máximo (União-RO). O relatório de Damares recomenda o envio de requerimentos de informação aos ministérios da Justiça, Meio Ambiente e Povos Indígenas, além de indicações ao Executivo Federal para regulamentar o extrativismo mineral familiar e criar protocolos para ações policiais em comunidades tradicionais.

Também sugere o encaminhamento de ofícios ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal para apuração das denúncias de abusos e irregularidades.

“O que vimos em Humaitá e Manicoré foi desumano. O Estado tem o dever de proteger, não de destruir. Que este relatório sirva como um alerta e um compromisso de reparação e justiça para o povo amazônida”, protestou a senadora Damares Alves, ao encerrar a apresentação do documento.

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