Com o sacrifício da própria vida

Hoje quero compartilhar com vocês um tema que tenho defendido incessantemente que é a valorização do policial militar e a excepcionalidade do exercício desta profissão que já seria motivo suficiente para que houvesse por parte dos governantes e da sociedade um respeito e valorização a todos os servidores da segurança pública. No juramento que acontece costumeiramente em todos os cursos de formação, o termo “com o sacrifício da própria vida” está escrito especificamente para a formação dos profissionais de segurança pública e que mesmo sendo pronunciado com toda a força do pulmão durante as solenidades, poucos dos que estão de fora têm a real noção de seu peso.

A atividade policial é altamente complexa, estressante, difícil e mal compreendida. O policial tem regime de trabalho totalmente diferenciado dos demais trabalhadores. Não tem número de horas para trabalhar, nem horários fixos. Não recebe horas extras. Não tem horário para se alimentar. Entra de serviço sem saber quando vai terminar. Nunca pode assumir compromisso social e ter certeza de que irá cumpri-lo, pois, quando menos espera, tem que dobrar o horário, cumprir escalas extras e imprevisíveis, cumprir trabalhos emergenciais.

Pesquisas mostram que no Brasil, são assassinados, proporcionalmente em um ano, mais policiais do que nos Estados Unidos em 15 anos, não há como comparar com países europeus, onde a violência contra o policial é quase zero. Já no Brasil, quando o policial sai de casa, sua família nunca sabe se é a última vez que o está vendo vivo.

No estado do Amazonas os efetivos das instituições que realizam o trabalho de defesa da sociedade, estão a cada ano reduzindo por diversos fatores que vão desde a aposentadoria até situações que deixam as instituições enlutadas como o ocorrido recentemente quando um cabo da PM foi assassinado com características de execução. Nenhuma outra corporação no Brasil fica tanto de luto como a Polícia Militar. Vivenciei muitas vezes a tristeza pela morte de um guerreiro durante mais de 30 anos que integrei a PMAM, da qual tenho profundo orgulho, e sou um defensor incansável.

Na atual posição que me encontro no parlamento estadual, tenho reverberado a real situação das forças de segurança no estado, sobre a necessidade de garantir as conquistas já estabelecidas para melhor qualidade de vida de seus integrante, situação que reflete na produtividade diária do serviço prestado. Difícil imaginar uma profissão que exija tanto de alguém quanto a de um policial militar, bombeiro militar e policial civil, por uma contrapartida financeira.

O policial é movido por um sentimento de missão, trabalha em busca de um objetivo, de forma abnegada, renunciando os próprios interesses, sacrificando-se em benefício de outrem ou em nome de uma ideia, de uma causa; A definição descrita em grande parte dos dicionários da língua portuguesa, é clara e direta sobre o assunto.

Em abril, mês de grandes celebrações na instituição Polícia Militar, meu desejo e esperança é poder olhar nos olhos de cada cidadão defensor da ordem pública e observar a satisfação de ser reconhecido como servidor de alto valor para estado do Amazonas.

*Dan Câmara é Deputado Estadual, Presidente da Comissão de Segurança Pública na ALEAM, Presidente da Comissão de Justiça e Segurança Pública da UNALE, Cofundador da Força Nacional de Segurança especialista em Planejamento Estratégico, ex-Comandante Geral da PMAM, Coronel da Polícia Militar.

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