Clima esquenta na Câmara por causa do “Caso Flavio” e vereador lembra até da morte de PM que fazia segurança de Chico Preto

A reação da população, que condenou nas redes sociais a rejeição de um requerimento, de autoria dos vereadores Chico Preto (sem partido) e William Abreu (PMN), pedindo informações à Prefeitura sobre a utilização de funcionários e estrutura pública para intervir no caso da morte do engenheiro Flavio Rodrigues dos Santos, gerou um forte discurso agora há pouco, em plenário, do vereador Coronel Gilvandro (PTC), que lembrou o caso da morte de um sargento que fazia a segurança de Chico Preto para chamar o colega de hipócrita, covarde, moleque, amoral, oportunista e até “sepulcro caiado”. Em reunião externa, o oposicionista reagiu dizendo que o adversário faz parte de um grupo obscuro que não quer que a verdade venha à tona.

No início da sessão, Chico Preto disse que se retiraria, junto com Abreu, para uma reunião no Ministério Público de Contas. E saiu do plenário. Já no grande expediente – momento em que os vereadores podem fazer discursos mais longos, usando inclusive o tempo da coligação a que pertencem – Gilvandro disse a atitude do colega foi “covarde”. “Ele sabia que eu iria chamá-lo para o debate e fugiu”, disparou. “É um moleque. Aproveitou-se da dor de uma família para constranger esse parlamento. Logo ele, que usou a lei em seu favor, quando tinha direito de usar proteção para si e para sua família, e teve um policial militar à disposição, que morreu protegendo a esposa dele. Eu poderia dizer que foi ele quem causou a morte do PM, porque se queria transportar valores deveria ter contratado um carro forte, mas não sou leviano para fazer uma acusação dessas. Mas ele agora se aproveita de um assassinato para nos constranger, para conseguir aprovação da opinião pública”, disse Gilvandro, irritado.

O caso a que ele se referiu ocorreu no dia 2 de setembro de 2014, quando Chico Preto era deputado estadual e candidato a governador pelo PMN. Naquele dia, o sargento PM José Cláudio Marques da Silva, 46, o “Caju”, foi morto alvejado com três tiros em frente à sede da legenda, na rua Colômbia, conjunto Eldorado, Zona Centro-Sul da cidade, quando acompanhava a esposa do atual vereador, Silvana Castro Ribeiro da Costa, que havia acabado de sacar dinheiro de uma agência bancária do Bradesco na avenida Djalma Batista, bairro Chapada, para pagar funcionários da campanha.
O crime, que teve grande repercussão à época, foi registrado por câmeras de segurança. Os suspeitos de participar da ação criminosa foram mortos seis dias depois, em tiroteio com a Polícia.
Chico, que é hoje o maior opositor do prefeito Arthur Virgílio Neto (PSDB) na Câmara Municipal de Manaus, apresentou requerimento solicitando informações à Prefeitura sobre a utilização de funcionários públicos para proteger o enteado do chefe do Executivo, Alejandro Valeiko Molina, além de veículos de serviço para intervir na cena do crime. Apenas ele e Abreu votaram favoravelmente ao envio do documento. Os outros 39 vereadores se posicionaram contrários. A repercussão foi grande nas redes sociais.
“Em nenhum momento eu acusei ninguém de nada. Estou apenas em busca de informações para embasar providências que posso tomar, como representante do povo”, disse Chico Preto. “Não é nossa atribuição constitucional investigar estas situações. Todo mundo sabe que a lei faculta ao presidente da República, ao governador e ao prefeito a segurança pessoal deles e de seus familiares. Nós apenas votamos democraticamente, seguindo o que determina a legislação. Eu não vou permitir que minha honra seja enxovalhada por um moleque irresponsável que, para ter o apoio da opinião pública, constrange todo um poder. Quem tem que solucionar este caso é a Polícia Civil. E é o Tribunal de Justiça quem tem que punir o prefeito, se ele cometeu algum crime de responsabilidade. Eu quero a solução desse crime, como todo cidadão de bem, mas não vou precipitar as coisas”, rebateu Gilvandro.
“Vou deixar o Gilvandro se afundar sozinho em suas atitudes e palavras”, concluiu Chico Preto, que não quis prolongar a polêmica.
POSIÇÃO OFICIAL
O presidente da Câmara, Joelson Silva (PSDB), declarou ao final da sessão que não pretende politizar o caso e vai aguardar que a Polícia Civil, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça se pronunciem sobre o assunto. “Aí então, se for necessário, com equilíbrio e isenção, vamos discutir que medidas devemos tomar”, resumiu. Os vereadores aprovaram um requerimento hoje solicitando da Prefeitura que envie um representante à Câmara amanhã para explicar como está conduzindo as acusações de uso da máquina no “Caso Flavio”.

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