Cientistas políticos lançam livro que mostra as lições da eleição de 2024 que podem ter reflexos este ano

A proximidade das eleições acirra o debate sobre o comportamento e o provável desempenho dos candidatos nas urnas. Uma referência muito importante para entender o que influenciará o pleito este ano é o livro Eleições municipais e o que antecipam para 2026, que será lançado no próximo domingo, dia 3 de agosto, durante o encontro da Associação Brasileira de Ciência Política, em Belém (PA).  Fatores como o impacto de mídias digitais, inteligência artificial, eleitor evangélico e crescimento da ultradireita foram analisados pelos especialistas que participam do volume.

Organizada pelos cientistas políticos Antonio Lavareda, Helcimara Telles e Silvana Krause, a obra faz parte da série Eleições Municipais. O ponto de partida do livro é avaliar indicadores que são relevantes tanto para traçar perspectivas e prognósticos, quanto também para as estratégias dos candidatos.

“O ano de 2026 aponta para um cenário eleitoral com características presentes nas disputas e estratégias observadas nas eleições municipais” afirma Lavareda, coorganizador do livro.

Ele destaca entre as lições de 2024 o crescimento da extrema direita, com suas estratégias e narrativas; o impacto do eleitor evangélico na dinâmica eleitoral; o crescimento do PSD, legenda campeã no ranking de municípios conquistados;  e, por fim, as mídias digitais, que, para 2026, com o uso cada vez mais frequente da inteligência artificial, ganham contornos ainda mais profundos no processo decisório do eleitor.

Autores convidados

A análise da consolidação da ultradireita nas capitais ficou a cargo de Cláudio Gonçalves Couto, que demonstra que o fenômeno deixou de ser episódico e passou a integrar de modo estável o sistema político local, tendo como exemplo capitais como São Paulo, Curitiba e Goiânia.

desempenho do PSD como maior força municipal em número de prefeituras e população governada foi alvo de estudo de Silvana Krause, Dirceu André Gerardi e Carlos Eduardo Borenstein. Eles mostram que o crescimento decorre de estratégia pragmática, alianças flexíveis e identidade programática ambígua, capaz de dialogar com diferentes segmentos ideológicos sem comprometer sua posição de árbitro nas disputas locais.

fortalecimento da identidade religiosa nas câmaras municipais foi analisado por Helcimara Telles, Rafael Fonseca e Paulo Gracino Junior. Os três confirmaram a centralidade do eleitorado evangélico na política atual.

A profissionalização digital em pequenos municípios é um dos desdobramentos do uso massivo das mídias digitais na eleição, e foi identificada por Joscimar Souza Silva, Mariana de Paula Queiroz, Lana Vitória Figueiredo e Victor Gaba. Em seu estudo, eles revelam a elevação do padrão técnico da competição, tendência que deverá generalizar-se nas eleições gerais, reduzindo assimetrias informacionais entre centros e periferias.

Um painel com autores e convidados vai debater esses assuntos no evento de lançamento do livro, publicado pela FGV Editora. O encontro acontece a partir das 18 horas, na UFPA.

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