Cidade Nova: O Primeiro Grande Projeto Habitacional de Manaus.

Por Robson Roberto*

Relembrar um pouco da história da nossa cidade e reconhecer quem por ela fez algo muito importante.

 Imagine planejar um conjunto habitacional no meio da capital do Amazonas com quinze mil casas populares, numa época em que os recursos eram escassos, a floresta densa na área urbana e quantidade de imigrantes tamanha. Há quase trinta anos, foi este o desafio dos administradores. A Cidade Nova foi o primeiro grande projeto habitacional idealizado pelo então governador José Lindoso, que contava na época com o apoio do Ministro Mário Andreazza. As obras incluíram desmatamento de grandes áreas e muito trabalho num lugar distante e sem muitos recursos.

Logo, o projeto inicial que previa a construção de 15 mil casas foi reduzido há 1800 unidades habitacionais que formam a primeira etapa do conjunto, na Zona Norte de Manaus. As obras começaram no início da década de 80 e as primeiras moradias foram entregues em 23 de Abril de 1981. Um ‘’ acontecimento’’ que trouxe a Manaus até o general João Batista de Figueiredo, o último presidente do Regime Militar, que juntamente como governador do Amazonas, José Lindoso e com o Superintendente da Sociedade de Habitação do Estado do Amazonas (SHAM), José Braz Chermont Raiol inauguraram a Cidade Nova.

A construção do conjunto foi uma tentativa de reduzir o déficit habitacional causando principalmente pela grande quantidade de famílias que vinham de munícipios vizinhos e também de outros estados em busca de emprego no Polo Industrial de Manaus. Sem moradia, essas pessoas passaram a invadir áreas sem qualquer estrutura física como barrancos e às margens dos igarapés.

Uma das famílias beneficiadas e sorteadas para receber as chaves de uma dessas primeiras casas da 1º etapa, foi a do aposentado, Eduardo Mário das Dores Reis, 56, que na época morava no bairro Cachoeirinha. Acompanhado da esposa, Íris de Carvalho Reis, 55, e de três filhas, Eduardo fez a mudança no dia 26 de Maio de 1981, sendo um dos primeiros moradores da Rua Tupi, na casa de número 3.

“Eu estive aqui, em um escritório que foi montado na primeira casa da esquina e me entregaram as chaves da casa, as torneiras e tampa do vaso do banheiro”. Dias depois, realizei a minha mudança e aqui estou até hoje. Já são quase 27 anos morando aqui na Cidade Nova. Hoje eu não me vejo morando em outro bairro, gosto muito daqui. Esta área em que moramos, sempre foi bastante tranquila e nunca tivemos problemas’’, conta o aposentado.

Eduardo recordar o tempo em que não precisava utilizar ar-condicionado, pois o clima na Cidade Nova, principalmente à noite, ficava bastante frio. “Logo que nos mudamos para a Cidade Nova, não precisávamos utilizar ar-condicionado e ventilador. Quando a noite se aproximava, uma neblina cobria o bairro, que não dava para enxergar nada na rua. Quando eu saía na rua, pela manhã, a visão era a mesma e o clima era maravilhoso. Logo na entrega do bairro, era tudo muito bom, tínhamos água da melhor qualidade, energia elétrica, as ruas bem asfaltadas, tudo funcionava perfeitamente. Além disso, desfrutávamos de vários igarapés e dezenas de fruteiras existentes nas matas aqui próximo, infelizmente isso acabou”, lembra ele.

Umas das grandes dificuldades da Cidade Nova, logo na sua inauguração, segundo Eduardo, era o transporte coletivo, que além de demorar, funcionava apenas até às 22h. “Logo que mudamos, sentimos um grande impacto com a longa distância, até o centro da cidade. Se você saísse com a família, para alguma festa ou aniversário, tinha que chegar a estação, até às 22h, caso contrário teria que pagar um táxi ou dormir na rua. Também não tínhamos feiras, nem supermercados que logo surgiram”, diz Eduardo.

A Cidade Nova foi construída e dividida em várias etapas. A 1º etapa, com 1.800 unidades, foi inaugurada em 1981 e até hoje é conhecida como Cidade Nova I, A 2º etapa, contendo outras 3 mil unidades, foi construída entre os anos de 1984 e 1985, chegando até o núcleo 14.

O núcleo 15 ficou pronto na 3º etapa (Cidade Nova II) e na 4º etapa, o núcleo 16, localizado e identificado como Cidade Nova III. Em 1988, onde seria construído o núcleo 17 até o 20, surgiram os bairros Amazonino Mendes e Mutirão, alterando o projeto inicial, Na 5º etapa, foram construídos os núcleos 21, 22, 23 e 25.

Alguém hoje consegue imaginar Manaus sem a Cidade Nova. José Parabéns. Homem de Visão.

*O autor é urbanista, empresário e contabilista

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