Catequese na veia! (Parte 4)

Aos meus diletos leitores, continuo a dirigir semanalmente essa série de seis artigos que são excertos do meu livro de orações e catequese intitulado Orai & Vigiai!

Desta feita, vou tratar sobre algumas impropriedades e vacilos cometidos pelos irmãos de fé católica(na maioria das vezes perdoáveis porquanto, não o fazem por maldade e sim por desconhecimento ou mesmo por terem aprendido da forma errada e o reproduzem assim mesmo) principalmente em algumas orações e cânticos do dia a dia das devoções e até das celebrações da nossa fé.

Lembro, entretanto, que faço essas abordagens com muita misericórdia na melhor intenção de pregar a coisa certa colocando os termos nos seus devidos lugares.

Aprendi com uma amiga de grupos católicos que oração não se muda. E ela está certíssima!

Já pensou você se inspirar, escrever algo e tornar público e vir alguém e alterar sem sua permissão o que você escreveu?

Pois é exatamente assim que os apóstolos, os santos e santas, os papas, os escritores e compositores cristãos e até você mesmo se sentiria e com razão, ao não concordar que mexam, alterem ou deturpem seus textos.

Mas, alguns “iluminados”, achando que quem escreveu não quis escrever o que escreveu ou quem disse não disse o que quis dizer, tome-lhe a acrescentar ou mudar palavras e até frases inteiras de algumas orações e canções católicas feitas sob inspiração Divina. Misericórdia!

Por fim, diz-se que quem canta reza duas vezes e isso é verdade!

Entretanto, para evitar erros teológicos, nada de cantar músicas e louvores de outras religiões por mais encantadoras que sejam, nas missas, na recitação do Santo Rosário/Terço, nos grupos de formação e devoção, nas procissões e peregrinações.

Lembre-se, que nossa fé católica, tem uma vastidão de lindos, poderosos e edificantes cânticos compostos com muita fé e inspiração Divina, inclusive com fundamentação bíblica.

Vamos lá então!

COISA ou FILHO/A?

Na versão cantada da Consagração a Nossa Senhora, muito se questiona se o certo é como “COISA e propriedade Vossa” ou como filho/a e consagrado/a vossa.

Na oração original escrita no século XIX (Raccolta-Manual de Indulgências) a expressão empregada é COISA, que, na versão em latim, tem o mesmo sentido de propriedade.

No dicionário, COISA significa “…direito pelo qual algo pertence a alguém”, logo, COISA é algo sobre a qual se tem a posse.

Ao se declarar propriedade de Nossa Senhora, assumimos a condição de COISA posto que diante grandeza da Mãe do Céu e de Deus, somos realmente COISA alguma.

Para muitos, talvez COISA soe como uma palavra agressiva e dura, pois equivocadamente pensem que Maria Santíssima fosse preferir nos chamar de filhos. Isso é algo sem sentido não é mesmo?

Quantas coisas e propriedades guardamos com zelo e carinho tais como objetos e recordações que consideramos preciosos?

E somos exatamente assim, coisas preciosas para o olhar da Santíssima Virgem.

“De fato, fomos comprados, e por preço muito alto!”(1Cor 6, 20a), e a Senhora Santa conhece muito bem este preço e nos valoriza e aceita tal como somos.

Portanto, não faz sentido nenhum mudarmos a oração apenas por pudor religioso ou de fé ou por um falso respeito.

O correto é cantarmos sempre …”guardai-me e defendei-me, como COISA e propriedade vossa…”.

Amém?

OBRIGAR ou AGRADECER?

A oração facultativa de gratidão a Nossa Senhora antes do Salve Rainha, termina com: “…. e para mais vos OBRIGAR, Vos saudamos…..”.

Novamente e apenas por pudor, alguém alterou o termo para AGRADAR, AGRADECER, ALEGRAR, etc. Credo!

Obrigar é um vernáculo do português arcaico que está posto nesta oração com o sentido de agradecimento, pois Nossa Senhora, é digna de toda gratidão dos seus filhos.

Quem somos nós para obrigarmos a Mãe de Deus a fazer alguma coisa né?

A palavra OBRIGAR na oração original carrega o significado de CATIVAR (a Virgem Maria) para que Ela mais e mais se torne solícita aos nossos rogos.

Portanto, alterar sem autorização uma linda e piedosa oração que um dia alguém dedicou a Nossa Senhora não tem sentido.

EIA ou IA?

No Salve Rainha aí a coisa pega.]

É um tal de “IA pois”, “JÁ pois”, “EIS pois…” quando o correto é e sempre será “…EIA pois a Advogada nossa…”.

EIA é uma expressão de animação, estímulo, adiante, avante, portanto, muito apropriada para nos empurrar pra frente tendo Nossa Senhora como advogada onde o sufixo Ad quer dizer ao lado de.

No artigo da próxima segunda seguirei tratando de mais alguns tópicos sobre orações e canções entoadas erroneamente por pura falta de leitura ou ausência daquele misericordioso ensinamento aos que pronunciam errado.

Té logo!

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