Melo passa para a história como o “Zé Merenda”

José Melo deixa de ser hoje governador do Amazonas, cargo com que tanto sonhou e exerceu três anos, um mês e oito dias, desde o dia primeiro de abril de 2014, quando assumiu com a renúncia de Omar Aziz. Como era de se esperar,  não deixou uma única marca no mandato, o que minou sua popularidade a ponto de ser mais lembrado como “Zé Merenda” ou “Merendinha” – por causa da baixa estatura -, apelido que ganhou quando do escândalo do desvio de merenda da Secretaria de Educação do Estado, à época em que esta era dirigida por ele, no governo Amazonino Mendes.

O governo Melo teve a estatura de seu titular. Foi o pior da história do Amazonas. Atingido em cheio pela crise econômica que assolou o país, ele praticamente só administrou problemas, paralisou obras e projetos, demitiu milhares de funcionários e dedicou-se apenas a distribuir dinheiro e favores a apaniguados.

Com uma equipe limitada – com raríssimas exceções -, à imagem e semelhança dele, e a herança nada bendita do governo Omar Aziz – igualmente focado na própria “panelinha”, mas com algumas realizações e muita propaganda a mais -,  Melo de despede da vida pública rico, mas colecionando fatos negativos.

A carreira na vida pública começou ainda na década de 70, como delegado do Ministério da Educação, à época da ditadura. Segundo muitos dos colegas que trabalhavam com ele na Universidade do Amazonas – hoje Ufam -, serviu à ditadura como delator do Serviço Nacional de Informações. Mandou alguns “amigos” para os porões da tortura. Foi na década de 80 que aproximou-se de Amazonino Mendes, que o nomearia secretário de Educação no Estado, quando governador, e no município, como prefeito de Manaus.

Na política partidária, começou bem, sendo o deputado federal mais votado em 1994, com pouco mais de 100 mil votos. Tinha a ajudá-lo a máquina do Governo, comandado por seu padrinho político, Amazonino Mendes. Reelegeu-se depois em 1998, mas nunca “esquentou a cadeira” em Brasília. Sempre voltava ao Governo, seja como secretário de Educação ou como coordenador do mais fantasioso projeto de desenvolvimento do interior do Estado de que se tem notícia, o “Terceiro Ciclo”.

Em 2002 tentou o primeiro salto majoritário, ao costurar a candidatura ao cargo de vice-governador, na chapa encabeçada por Eduardo Braga. Na madrugada do dia da Convenção em que seria aclamado, levou a “pernada” mais rumorosa da história política do Estado, sendo substituído pelo então vice-prefeito de Manaus, Omar Aziz, em articulação comandada pelo amigo Amazonino. Teve que mandar os correligionários recolherem ás pressas as faixas que comemoravam sua chegada ao olimpo e acabou candidato a deputado estadual.

Eleito para a Assembleia Legislativa naquele ano, também não ficou até o final do mandato. Em 2005, assumiu a  Secretaria de Governo, convidado por Braga. Foi o seu melhor momento. Como uma espécie de primeiro ministro, coordenou a reeleição vitoriosa do governador e tocou alguns dos mais bem sucedidos projetos que o Amazonas já viu. Forte no Governo, sequer disputou qualquer cargo em 2006. Como recompensa, tornou-se vice na chapa de Omar Aziz, que assumiu no lugar de Braga em 2010.

Como vice-governador, o “Merendinha” foi extremamente discreto, mas atingiu o objetivo de ganhar a confiança de Aziz. Junto com este, preparou a “pernada” em Braga, que sempre deixou muito clara a intenção de voltar ao Governo em 2014. Os dois protagonizaram a maior “trairagem” da história. Só que, ironicamente, foi naquele momento que a carreira política de Melo começou a decair.

Protagonistas da campanha eleitoral mais suja e corrupta da história do Estado, Melo e Omar conseguiram o intento de derrotar Braga, mas acabaram enredados em uma teia de denúncias que originou 26 processos no Tribunal Regional Eleitoral, um dos quais redundou na cassação do primeiro em janeiro do ano passado.

Omar espertamente conseguiu descolar de Melo nos processos eleitorais e não tem o mandato de senador, conquistado também em 2014, sob risco.

Já José Melo de Oliveira encerra, aos 71 anos de idade, uma carreira muito mais marcada pelas “merendices” do que pelo sucesso. Veste o pijama sem conseguir realizar nada de marcante e ainda terá que conviver com vários processos judiciais.

Castigo supremo para qualquer político, ele está condenado ao ostracismo. Afinal, se insistir em aparecer no palanque de algum aliado, vai condenar a campanha ao fracasso.

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2 COMMENTS

  1. Nossa! Que biografia sensacional tem este corruPTo.
    Eu mesmo não sabia que tinha tanto antecedentes na ficha deste crápula da política.
    Canalha, imoral, sem vergonha, mentiroso, desonesto, e por aí vai…
    É bem do tipo que infesta a nossa tão sofrida Nação, mais um rato imundo, sem nenhuma idoneidade moral, que se não fosse a oportunidade de se infiltrar na política, seria mais um delinquente atrás das grades há muito tempo.
    É uma vergonha alheia!

  2. Com essa vasta biografia esse corrupto ainda mancha a classe de esucadores que já é tão sofrida e esmagada pelo poder público e pela sociedade.Esse corrupto tem que pagar por todos os atos praticados,nunca teve prestígio e por isso tem que apodrecer na cadeia.

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