Autoridades suspeitam de influência política na “guerra das facções”, para influenciar eleições

A Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) estão atentos às últimas movimentações relacionadas à morte de várias pessoas em uma suposta guerra pelo domínio de territórios do tráfico no Amazonas. Já existe inclusive a suspeita de que correntes políticas poderiam estar insuflando a matança, para criar um clima para as eleições que se aproximam.

As suspeitas existem por causa do que aconteceu em 2014. Naquela época, a imprensa nacional denunciou uma negociação entre um representante do Governo do Estado e o líder da facção Família do Norte, José Roberto Fernandes, o “Zé Roberto da Compensa”, na época ainda preso em Manaus. O objetivo seria engajar os membros do grupo criminoso na campanha à reeleição do então governador José Melo (PROS).

O próprio Melo estaria sendo monitorado agora. Ele foi cassado em maio do ano passado, acusado de ter comprado votos para sua reeleição. Em dezembro, foi preso por outro motivo: o envolvimento com a máfia da Saúde descoberta pela operação “Maus Caminhos”, levada a efeito pelo MPF e pela PF. Como responde a vários processos, inclusive aquele em que é acusado de envolvimento com a FDN durante a eleição de 2014, o ex-governador teria todo interesse em influenciar no pleito atual, para garantir apoio político e jurídico com vistas aos seus próximos embates na Justiça. Daí a desconfiança de que poderia retomar seus contatos.

As autoridades tiveram acessos a vídeos que mostram membros da FDN comemorando a vitória de Melo no segundo turno da eleição de 2014, durante uma carreata pontuada por foguetórios pelo bairro Compensa, onde estava a sua principal base na época.

Nas gravações divulgadas por alguns dos principais veículos de comunicação nacionais em 2014, o major PM Carliomar Barros Brandão, então subsecretário de Justiça e Cidadania do Estado, conversava com “Zé Roberto”. “A mensagem que ele (Melo) mandou pra vocês, agradeceu o apoio e que ninguém vai mexer com vocês não”, diz um trecho. “Vamos apoiar o Melo, entendeu… a cadeia…vamos votar minha família toda lá da rua, entendeu? […] A gente quer dar um alô, que ele não venha prejudicar nós [sic] … e nem mexer com nós […]”, responde o traficante, que teria garantido cem mil votos ao governador. As investigações mostraram que líderes da FDN e o policial militar Carliomar Barros Brandão se encontraram ao menos três vezes às vésperas do primeiro turno das eleições de 2014. As investigações mostraram que as duas partes se encontraram ao menos três vezes às vésperas do primeiro turno das eleições de 2014.

Os diálogos ocorreram no Complexo Penitenciário Anísio Jobim, mesmo local onde em janeiro do ano passado estourou a guerra entre as facções criminosas, que resultou na morte de 56 detentos, a mando de “Zé Roberto”, agora encarcerado em presídio federal fora do Estado, e seus “irmãos” da FDN. Investigações recentes indicaram que a facção local usou o episódio para colocar ainda mais pressão sobre as autoridades e assumir de vez o controle dos presídios de Manaus.

INFLUÊNCIA POLÍTICA

As autoridades investigam denúncias segundo as quais a FDN teria apoiado a eleição de vereadores em 2016 e estaria planejando eleger deputados agora em 2018, para ampliar sua influência política.

Para facilitar essa ação, seria necessário criar um clima para favorecer a eleição dos aliados do crime. E isso estaria sendo conduzido agora, com a matança desenfreada de adversários, assustando a população, como ocorreu esta noite em Manacapuru, quando um traficante foi metralhado em cena cinematográfica (foto acima).

Clique nos links abaixo e veja o que a mídia nacional denunciou em 2014. Algo parecido por estar acontecendo agora, envolvendo os traficantes a um grupo político:

https://www.youtube.com/watch?v=2ROiEGNOpA0
https://www.youtube.com/watch?v=OxcxMynj3aA
https://www.youtube.com/watch?v=QHG8GgtLx2I

 

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