Atletas indígenas do AM vencem provas na primeira copa Norte-Nordeste de Tiro com Arco

Os arqueiros indígenas amazonenses Graziela Yaci Santos, Gustavo Santos, Drean Braga e Nelson Moraes participaram da 1ª Copa Norte-Nordeste de Tiro com Arco, realizada pela Federação Pernambucana de Tiro com Arco (FPETARCO), no município de Cabo de Santo Agostinho (PE). A competição reuniu 167 atletas de diferentes regiões do país, incluindo competidores de alto rendimento, e marcou mais uma etapa importante para a presença indígena no esporte nacional.

Graziela venceu nas categorias Individual e Equipe Feminina – disputada ao lado das atletas Samara Henrique e Ingridy Tamara. Enquanto isso, Gustavo ganhou nas categorias Individual e Equipe Masculina. Juntos, ainda garantiram o primeiro lugar na Dupla Mista. Já Drean Braga conquistou o terceiro lugar na categoria individual adulta, o primeiro lugar por equipe masculina adulta e a terceira colocação na disputa de dupla mista adulta.

Mesmo diante de condições adversas, como fortes chuvas, campo alagado, lama e frio, eles mantiveram o foco e garantiram resultados expressivos para o Amazonas.

“Em meio a condições super difíceis, isso diferencia um atleta de alto rendimento. Temos que treinar para nos adaptar rapidamente às situações. Essas conquistas mostram a forte representatividade que já temos no tiro com arco e que podemos abrir portas para futuros atletas indígenas. Somos a prova viva de que é possível ser um atleta com treinamento e empenho”, afirma Gustavo.

Já a arqueira Graziela foi o grande destaque. Ela encerrou em 1º lugar no Classificatório Geral e recebeu o título de melhor atleta do torneio. Para ela, os resultados representam a superação diante dos desafios enfrentados ao longo dos três dias de prova. “Tivemos conquistas muito positivas e agora estamos levando o ouro para o Amazonas”, celebra.

Do povo Karapãna, Graziela nasceu na comunidade indígena Kuanã, localizada na zona rural de Manaus (AM), dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga Conquista. Apaixonada pelo esporte, deu seus primeiros passos em 2013 por meio do projeto “Arquearia Indígena”, coordenado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS) em parceria com a Federação Amazonense de Tiro com Arco (Fatarco).

Ao longo dos anos, construiu uma trajetória marcada pelo pioneirismo. Tornou-se a primeira mulher indígena a integrar a seleção brasileira de tiro com arco e representou o país nos Jogos Sul-Americanos, conquistando a medalha de ouro nas categorias individual feminina e por equipes. Também garantiu a medalha de prata no Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco de 2023, além de outros troféus.

Agora, se prepara para um novo desafio internacional: representar o país no Grand Prix das Américas, nos próximos dias 18 a 24 de maio, no Chile. “Quero fazer uma excelente competição, conquistar medalhas para o Brasil e continuar evoluindo cada vez mais. Depois, vou seguir treinando e foco nas Olimpíadas de 2028, nos Estados Unidos”, conclui.Superação e continuidade no esporte

Quem também ganhou destaque na competição foi Drean Braga, do povo Kambeba. “Apesar do curto período de preparação, avalio a competição como uma experiência importante para minha trajetória esportiva. Após quase um ano afastado dos treinos, retornei a rotina de preparação há cerca de um mês e, mesmo enfrentando limitações em relação aos materiais necessários para a prática esportiva, consegui participar da disputa e conquistar o terceiro lugar em sua categoria individual”, comenta.

Os próximos passos do atleta incluem intensificar os treinos com o objetivo de disputar o Campeonato Brasileiro de Tiro com Arco, previsto para setembro, além de buscar apoio e equipamentos necessários para continuar evoluindo no esporte.

Projeto “Arquearia Indígena”

Graziela, Gustavo, Drean e Nelson têm suas trajetórias ligadas ao projeto “Arquearia Indígena”, iniciativa que busca fortalecer a cultura, a imagem e a autoestima dos povos indígenas no estado do Amazonas. Além disso, já contribuiu para que atletas amazônidas conquistassem mais de 50 medalhas em competições nacionais e internacionais, promovendo oportunidades e revelando talentos no esporte.

A coordenadora do Programa de Protagonismo Indígena da FAS, Rosa dos Anjos, destaca que o desempenho dos atletas demonstra não apenas talento esportivo, mas também fortalecimento da identidade indígena por meio do esporte.

“A conquista desses atletas representa a força, a disciplina e o protagonismo dos atletas indígenas ocupando espaços de destaque no esporte nacional. Ver atletas indígenas amazonenses levando o nome do Amazonas e de seus povos para competições de grande relevância fortalece a autoestima das aldeias/comunidades e inspira novas gerações a acreditarem no esporte como caminho de oportunidade, visibilidade e transformação social”, afirma Rosa.

Sobre a FAS

A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos que atua pelo desenvolvimento sustentável da Amazônia. Sua missão é contribuir para a conservação do bioma, para a melhoria da qualidade de vida das populações da Amazônia e para a valorização da floresta em pé e de sua biodiversidade.

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