Por Miquéias Fernandes*
De volta às eleições, meus amigos, entendo não poder o governante municipal, perder de vista que o município é, por excelência, entidade prestadora de serviços públicos aos munícipes, que o serviço público ou de interesse público significa utilidade, prestabilidade para o público, ressalte-se, destinado a satisfazer as necessidades da coletividade, e não interesses privados de particulares ou de grupos privilegiados de cidadãos. Os serviços públicos devem ser postos à disposição de todos os munícipes como “criado” destes, para que os atendam com presteza, eficiência, regularidade e continuidade e não somente em momentos que antecedem as eleições.
Outrossim é dever da prefeitura municipal realizar continuamente uma conservação e pavimentação de qualidade nas vias urbanas, realizar a manutenção das referidas vias para que o povo continue usando, e estes serviços não devem ser feitos somente no momento que antecede o período eleitoral, o que é ilusão! É obrigação também do município, dentre tantas outras, realizar a drenagem das águas das chuvas, situação que em Manaus está entregue ao abandono; realizar a sinalização das ruas, outra providência que também está abandonada. Estas simples ações refletem diretamente na economia, saúde e bem-estar da comunidade.
Com a aproximação das eleições, o que vemos é o lançamento de um pacote de obras que contemplam asfaltamento de ruas, iluminação de bairro, pequenas obras de drenagem e outras decisões menos notadas. Tais obras e serviços ficaram relegadas ao esquecimento; e o governo, face o período eleitoral que se avizinha, ressuscita, para enfim começarem as obras e as “lives” para circularem nos blogs, redes sociais e na mídia em geral. O surpreendente disso é que tais obras e serviços deveriam ocorrer durante todo período de governo, mas aparecem no período que antecede as eleições e são trombeteadas como sendo oferta do chefe do poder público, e não como verdadeiramente o são: o cumprimento de uma obrigação descumprida que está chegando atrasada! O bom senso, o horror à demagogia e o populismo repudiam tais ações e demonstram que seus autores detém a inclinação de ver no povo e principalmente a população mais pobre, como uma massa de manobra! Esses agrados populistas servem para dar continuidade no poder daqueles que lá estão, e estavam silenciosos até a chegada do período eleitoral, e não para servir aos interesses dos populares.
Minorar as dificuldades do povo é obrigação do poder público, devendo fazê-lo a cada instante do governo e não somente no período que antecede as eleições, o que entendo ser uma visão diminuta, de um governante populista, demagógico, numa demonstração total de descaso com o povo. Nas inaugurações, ou outro nome que seja dado às festas de entrega destas obras ou serviços, o líder político e seus protegidos são apresentados como benfeitores desses favores concedidos ao povo. Os membros da comunidade, mais atentos, se ouvidos, têm sempre aquela pergunta: “O que uma eleição não faz?!”
Se você confrontar dados das duas maiores prefeituras do país, verá que eles confirmam que faz todo sentido afirmar que asfaltar ruas é o investimento eleitoral perfeito, por ser totalmente visível, e isto, tanto faz se a eleição é do Presidente, governador ou prefeito. A demanda por asfalto cresce, puxada por obras de pavimentação ou recapeamento de ruas relegadas ao abandono nos anos anteriores.
O governante quando assume, passa os dois primeiros anos de governo e mais metade do terceiro ano falando mal dos seus antecessores, alterando fatos com versões inverídicas e fazendo bravatas numa tentativa de reescrever a história, e isto é feito para iludir o eleitor desatento, para quem, o que importa não são os fatos, mas suas versões, muitas vezes diferentes e conflitantes com a realidade. As versões tendem a predominar, pelo menos no prazo relevante para o calendário eleitoral. Os fatos modificados pelas versões se espraiam nas redes sociais como propaganda e marquetagem política.
Fique atento eleitor, para que os populistas não iludam o povo, permitindo a continuidade no poder, daqueles que olham para o povo vendo-o como massa de manobra a ser iludida!
Volto na próxima quinta-feira, querendo DEUS.
*O autor é advogado
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