As mãos da Mãe

Vem de Maria Justina dos Santos Pereira Braga Monteiro, irmã muito querida, agora contando seus risonhos mais de oitenta anos, não só o título desse artigo de homenagem a todas as mães pelo dia que lhes é consagrado, mas também a parte central da mensagem que ofereço aos leitores nessa ocasião singular. E sinto muito bem as dadivosas mãos de minha Mãe que me acarinhavam, abençoaram e abençoam de onde estiverem, de uma mulher de olhar doce e profundo e cujos lábios sempre confirmavam as palavras divinas de bênçãos e o coração pulsava seu amor sem medida por todos os filhos.

Quando Justina escreve – e ela o faz todos os dias como se fosse missão de ofício, mas sei que bálsamo e luz para o seu tempo de agora – ela escreve e brinda meus sentimentos com a leitura eloquente que faz no telefonema matinal no qual declama seus textos bem compostos, é nessa hora que revivo mais fortemente as alegrias de nossa casa antiga, a de muitos irmãos reunidos e de conversas longas e brincadeiras engraçadas como se ainda continuássemos todos na infância-juventude descontraída que os anos não trazem mais. E ouço com reverência tudo o que ela escreve, e muitas vezes ela vai logo dizendo: “isso não fui eu”, a significar que recebera uma comunicação de outros planos do espírito.

Disse-me ela, certa manhã desta semana, com a voz quase embargada pela saudade e emoção: “As mãos de Mãe seguram as nossas para darmos os primeiros passos e atravessarmos a rua. As mãos de Mãe nos aplaudem de pé no teatro da escola, após nos ajudarem a fazer todas as tarefas. As mãos de Mãe enrolam os brigadeiros das festas de aniversário, mesmo que sejam só eles os doces da festa tão ansiosamente esperada. As mãos de Mãe arrumam nossos cabelos e muitas vezes fazem e refazem nossas tranças de menina. As mãos de Mãe nos protegem de coisas que nunca sabemos que possam acontecer, mas que ela consegue prever ao longe, por inspiração divina. As mãos de Mãe nos encorajam quando sentimos medo e nos acalentam em todas as horas precisas”.

Adiante, ela nos oferece a mensagem principal de aconselhamento que está sempre presente no coração de mãe-educadora como ela tem sido desde o magistério no Grupo Escolar “Princesa Isabel” ainda nos primeiros anos de sua juventude, e continua a ser no lar que construiu com o seu companheiro de mais de cinquenta e seis anos, o Yano Renée, um lar amoroso na essência de uma vida recolhida e dedicada inteiramente aos filhos. Eis o que ela preleciona: “E antes que essas mãos virem poesia, lembre-se: um dia sua Mãe segurou a sua mão para lhe ensinar a andar, agora, é você que não pode deixá-la cair”.

É bem verdade! Em meio às recordações do que se deu com ela, se deu conosco, se dá com milhares de crianças, a minha Justina convida os leitores mais jovens a uma reflexão das mais importantes e necessárias, a de não abandonarem suas mães quando a voragem dos anos enfraquecer o corpo físico que revestem esses espíritos angelicais, e dar a elas, não em retribuição, mas por amor filial que lhes devem, o mesmo sentido de proteção que lhes foi oferecido quando de tudo precisavam e a Mãe era o porto seguro que encontravam.

As mãos carinhosas e firmes que fizeram os filhos andar com segurança e ensinaram sem esmorecimento no começo de tudo, foram as mesmas que em clemência a Deus tantas vezes se ergueram orando contritas pela felicidade e saúde dos filhos, todos os dias e todas as noites, em preces que nunca faltaram.

E como disse Justina, retribuam o amor que receberam enquanto essas mãos de Mãe não se tornam poesia, a simbolizar o encantamento que as levarão aos céus de onde vão abençoar, proteger e acenar saudades por todo o sempre.

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