Em meados da década de 1970 eu vi nascer, vicejar e praticamente amadureci para a vida cristã, em meio ao surgimento e expansão do que se denominou no seio da Igreja Católica de Teologia da Libertação-TL.
Eram movimentos de jovens, grupos e centros de formação, encontros catequéticos e pastorais, abandonando a espiritualidade e a tradição, e convergindo à esquerda por meio das famosas Comunidades Eclesiais de Base-CEB berços da doutrinação social da igreja católica, em contraponto ao estado político vigente na época comandado pelos militares os quais tiveram o maior engajamento dos católicos contra a tentativa de implantar o comunismo no Brasil.
Chegou determinado momento, em que parte do clero e quase a totalidade da cúpula da igreja, especialmente no nordeste e centro oeste do Brasil, incentivavam o povo a lutar e cobrar por um país livre de um governo militar e que se tornasse socialmente mais justo embora o país passasse por um período denominado milagre econômico sem fome e sem miséria.
Eu era membro ativo da Pastoral da Juventude de Manaus atuando na cúpula e foi, durante uma das viagens para formação catequética sobre Teologia da Libertação para jovens em Porto Velho, que nossa equipe sofreu um terrível acidente, fato esse contado num dos meus artigos e que se tornou prólogo do meu livro O que penso sobre.
O que nos animava e nos conduzia, era o espírito libertador e os arroubos próprios de uma juventude inquieta e sedenta por mudanças políticas e sociais que nos faziam até deixar de lado o crescimento espiritual e a fé mais arraigada nos exemplos dos santos e santas, como fatores preponderantes para alcançarmos a salvação.
Nossos líderes espirituais eram padres e freiras experimentados na fé porém, já contaminados e doutrinados, não pelo Catecismo da Igreja e sim pela cartilha da CNBB, em que se confundia Doutrina Social com Doutrina Socialista e isso se espalhava como uma praga de joio em meio ao trigo e arrastava principalmente os mais jovens notadamente os universitários católicos como eu.
Essa visão de Doutrina Socialista se alastrou pela igreja católica na América Latina cujos países, em sua maioria, eram governados por gente da direita, alcançando um ponto crucial levando a divisionismos políticos, matança de bispos e padres, e, forçou a cúpula da Igreja no continente, a promover vários encontros e elaborar diversos documentos doutrinários sendo o mais famoso deles a Carta de Puebla no México, em que a igreja católica escancarou sua predileção pelos pobres adotando um rumo eminentemente social e não de espiritualidade do povo.
Essa breve contextualização é necessária, a fim de realizarmos uma viagem ao passado e que isso nos ajude a compreender o que se passa atualmente nos contextos políticos, sociais e até religiosos e doutrinários no nosso país e no seio da igreja católica.
Assim como no passado exposto acima, hoje, a cúpula da igreja católica e uma parte do clero, também já fizerem suas opções políticas e sociais.
Não mais uma opção preferencial e não excludente pelos pobres, e sim, por uma escolha política partidária e por um pensamento socialista, em que se esquece e se escanteia a espiritualização dos fiéis.
Presentemente, ante uma escalada socialista na América Latina, o que assistimos nos países em que governos de esquerda tomaram o poder, são perseguições a bispos, padres e freiras, o fechamento de igrejas cristãs, o impedimento de acesso aos sacramentos, o banimento e a expulsão de congregações e seus membros e a perda de concessão de meios de comunicação católicos.
São ataques frontais e perversos com a intenção de calar a voz do clero, impedir o acesso dos cristãos aos templos numa tentativa torpe e covarde de travar a liberdade de expressão em que se fale a verdade dos fatos aos fiéis.
Isso vem desafortunadamente ocorrendo na Bolívia, na Argentina, na Colômbia, no Chile, na Guiana, no Suriname, no eterno regime ditatorial da Venezuela, e na Nicarágua.
O mais grave ante toda essa cruel realidade é o silêncio quase obsequioso da Santa Sé que tímida e isoladamente tem emitido alguns comunicados porém, sem a veemência exigida diante de tal descalabro.
Aqui no Brasil já estamos vivendo uma realidade preocupante. Em muitas igrejas, nas missas celebradas por sacerdotes nascidos e doutrinados durante o surgimento e maior expansão da Teologia da Libertação, as pregações são claramente de viés esquerdista. Eu tenho vivido isso em muitos domingos dedicados ao Senhor.
Falam cifradamente em fome, miséria, falta de moradia, desemprego, etc. entretanto, em verdade, querem mesmo é doutrinar no modo socialista de se expor porquanto, deliberadamente, já fizeram suas escolhas partidárias e ideológicas por um partido e por um candidato.
Quanta ignomínia! Quanto desvio de caráter moral e religioso! Quanto despautério doutrinário!
Nenhuma voz desses mesmos religiosos contra governos ditatoriais. Nenhuma vírgula sobre a perseguição aos cristãos e fechamento de templos nos países comandados por regimes totalitários e de esquerda. Silêncio absoluto sobre a grossa corrupção protagonizada pelos governos de esquerda entre 2002 e 2016 no Brasil, que levou à derrocada das estatais mais rentáveis, ao caos social e a mais profunda crise econômica da história recente do nosso país.
Rogo a Deus, que esse arrastão socialista não nos alcance e que essa cegueira deliberada da cúpula da igreja católica brasileira, não perdure e, ao contrário, ajudem o povo cristão a enxergar que nosso país não pode embarcar nessa onda de retorno ao caos social, de retrocesso econômico, de doutrinação ideológica, de ataque aos bons costumes, de desrespeito à propriedade, da libertinagem sexual e de perseguição à liberdade de expressão e de opinião.
Oremos!
Té logo!
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