Dois políticos que já foram aliados e adversários em diversos momentos desde que se aproximaram, na década de 80, vão disputar o segundo turno da emblemática eleição suplementar que vai escolher o substituto do governador cassado, José Melo (PROS). Amazonino Mendes (PDT) terminou o primeiro turno com 38,8% dos votos, impulsionado pelo mesmo grupo que, há pouco mais de dois anos, levou Melo ao poder. Eduardo Braga obteve 25,3%, coadjuvado por novatos e veteranos.
O advogado Amazonino Armando Mendes começou a carreira pública em 1982, aos 42 anos de idade, quando foi indicado prefeito “biônico” de Manaus pelo então governador Gilberto Mestrinho. Elegeu-se governador pela primeira vez quatro anos depois, em 1986; foi eleito senador em 1990 e dois anos depois venceu o pleito para um segundo mandato para prefeito da capital, aonde permaneceu pouco mais de um ano, desencompatibilizan-se para eleger-se governador pela segunda vez em 1994; foi reeleito em 1998. Perdeu a invencibilidade política ao ser derrotado por Serafim Corrêa na tentativa de um terceiro mandato de prefeito, em 2004, mas voltou quatro anos depois, vencendo o mesmo adversário. Em 2012, abriu mão de disputar a reeleição, por causa da saúde precária. Passou cinco anos descansando, praticamente aposentado, e retornou agora, mercê de uma articulação comandada pelo senador Omar Aziz, seu pupilo político.
O engenheiro eletricista Eduardo Braga começou na vida pública no mesmo ano que Amazonino, 1982, só que pela via da eleição direta. Elegeu-se vereador em Manaus, na oposição ao então prefeito biônico. Quatro anos depois venceu a eleição para deputado estadual e foi relator da nova Constituição do Estado, promulgada em 1989. Em 1990, chegou à Câmara Federal, onde passou apenas dois anos. Assumiu a vice-prefeitura de Manaus em 1993 e um ano e meio depois tornou-se prefeito. Perdeu a primeira eleição em 1998, quando disputou o Governo com Amazonino Mendes; sofreu novo revés em 2000, para prefeito de Manaus, contra Alfredo Nascimento; elegeu-se governador pela primeira vez em 2002 e quatro anos depois deu o troco, reelegendo-se contra Amazonino. Exerce atualmente o mandato de senador, para o qual foi eleito em 2010, mas em 2014 perdeu a eleição para governador contra o cassado José Melo.
Os dois já estiveram juntos em dez eleições: 1986, 1988, 1990, 1992, 1994, 2002, 2004, 2008 (apenas no segundo turno), 2010 e 2014. Foram antagonistas em cinco oportunidades: 1998, 2000, 2008 (primeiro turno), 2012 e agora em 2017.
Nas duas únicas vezes em que se enfrentaram, cada um teve uma vitória. Amazonino levou em 1998 e Eduardo deu o troco em 2006.
Independente do resultado do segundo turno, os dois são, de longe, os maiores protagonistas vivos da história recente do Estado.
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