O ex-governador Wilson Lima (União), que agora se apresenta como pré-candidato ao Senado, fez uma série de críticas ontem às obras que estão acontecendo neste momento na BR-319 (Manaus-Porto Velho), mostrando claramente sua torcida contra a pavimentação da estrada, um anseio antigo da população amazonense. Omisso em relação ao tema durante os sete anos e quatro meses de seus mandatos, ele manteve como secretário de Meio Ambiente ao longo de todo o período Eduardo Taveira, ligado aos ambientalistas do Observatório do Clima, que já foi à Justiça várias vezes contra as intervenções na rodovia.
Agora Wilson tenta se mostrar empenhado em resolver a situação, afirmando que o modelo de obra previsto pelo Governo Federal para o trecho mais crítico da BR-319 não representa uma solução definitiva para a rodovia. Ao criticar o uso do Tratamento Superficial Duplo (TSD), Wilson afirmou que a técnica possui baixa durabilidade nas condições climáticas da Amazônia.
“Estão vendendo mais uma vez uma mentira. Primeiro, a BR não está sendo pavimentada. E o contrato que fizeram agora não é um contrato de pavimentação. É um contrato para fazer um serviço chamado Tratamento Superficial Duplo. Você coloca ali um produto chamado ligamento betuminoso, coloca a brita, coloca de novo esse material e compacta. Isso dura no máximo dois invernos amazônicos”, afirmou Wilson Lima.
Segundo Wilson, além de não representar uma pavimentação convencional, o modelo enfrenta desafios logísticos e ambientais que podem comprometer a efetividade do projeto. Neste ponto ele alinha seu discurso com o dos ambientalistas que são seus aliados desde sempre.
“Tem que levar em consideração o seguinte. Ali no trecho da BR-319, você não tem jazida para pegar material. Tem trechos de contratação em que 70% do valor é logística e 30% é material. Chegar lá é mais difícil do que pavimentar. Vai se gastar mais dinheiro com transporte rodoviário e hidroviário do que propriamente com o material lá”, disse, novamente repetindo os argumentos dos ambientalistas.
Obras avançam
Enquanto Wilson torce pelo pior, as obras avançam. O trecho Charles, que vai até a comunidade Igapó-Açú está sendo totalmente pavimentado. O trecho do meio, o mais crítico, está recebendo uma base de pedras para posterior pavimentação.
As duas pontes que caíram ainda durante o primeiro governo de Wilson (Autaz Mirim e Curuçá) foram totalmente recuperadas numa parceria entre o Governo Federal e os senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), adversários do ex-mandatário.
Em nenhum momento ao longo de sete anos e quatro meses de mandato Wilson se movimentou para garantir a pavimentação da BR-319, assim como demorou quase todo o mandato para recuperar metade da AM-010 (Manaus-Itacoatiara), deixando ainda o trecho até o Rio Preto da Eva em situação deplorável. Outras rodovias, como a Codajás-Anamã, também foram prometidas e não recuperadas. E sequer o Ramal do Pau Rosa, em Manaus, que ele prometeu reiteradas vezes pavimentar, teve a obra concluída.
O desastre da gestão Wilson Lima em vários setores não respalda as críticas que ele agora faz.
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