Minha saudosa mãezinha, D. Lélia, nutria uma verdadeira paixão pelo ex governador Mestrinho.
Ela nunca esqueceu que, quando jovem, já mãe de uma prole considerável, Mestrinho doava leite, fardamento, brinquedos e enchia os aaammmmaaaazonenses de donativos.
Essa memória afetiva refletia em votos a cada quatro anos.
Não havia análise, não havia reflexão. As pessoas só lembravam dos donativos. Estavam encegueiradas por um personagem que transmitia generosidade e afeto.
Décadas e décadas se passaram, e essa prática vem se repetindo presentemente quando o povo nordestino sacramenta a maioria dos votos em lula et caterva.
Trata-se, nada mais nada menos, que o resultado dessa memória afetiva, quase dívida, incrustada na cabeça dessa gente que é grata por quem roubou mais fez, comparando Lula a Maluf.
O povo nordestino massacrado, mal tratado, esquecido e quase escravizado política e socialmente, age que nem o dono do galinheiro. As pobres aves sabem que todos os dias seu dono (entenda-se dono como o “coroné” político), virá trazer o milho de graça, porém, estarão fadadas a apenas colocar ovos e sabem que um dia irão morrer nas mãos desse mesmo dono.
Alguns já apelidaram essa região do Brasil como Nordestistão numa alusão à região da Europa do leste ali próximo à Rússia.
Trata-se de um conjunto de países paupérrimos, atrasados, isolados do mundo e massacrados pelos países ricos do seu redor.
A comparação não é lá muito própria posto que a situação do nordeste brasileiro em certos aspectos é bem pior, entretanto, guarda lá alguns aspectos de proximidade.
A seca sempre foi um grave problema para o Nordeste brasileiro e trata-se de problema climático cíclico.
Ocorre que o povo de lá foi instrumentalizado de tal modo a entender que existe um problema, ele é crônico, não haverá solução definitiva, porém, alguém vai minimizar os efeitos da seca trazendo água ainda que suja para matar sua sede e a sede da criação.
As terríveis condições de habitabilidade e a mortalidade infantil continuam a ser uma mancha e uma ferida na vida das famílias nordestinas.
O vazio sanitário por lá é uma cruel realidade.
Mas o sofrido nordestino com aquela reconhecida resignação diz diante do caixão das crianças mortas que “foi pela vontade de Deus”.
As hordas de nordestinos que vão em busca de um “lugar ao sol” no sul ou no sudeste do nosso pais fugindo da seca, da fome e da pobreza reinantes, é a saga de uma fuga dos problemas que alguém causou pra eles.
Esse problema são os próprios os “coronés” da política que fecham os olhos para seu povo pois querem vê-los sempre empobrecidos e atrelados às suas vontades e donativos, e, carimbar, nessa gente, a tal memória afetiva para ser cobrada a cada quatro anos.
Os bolsões de pobreza nordestino não estão nas capitais nem nas grandes cidades de lá. Estão nas regiões de seca e nas regiões sem infraestrutura, sem emprego, sem renda e sem trabalho e sem esperança.
É lá o tal Nordestistão brasileiro.
É lá que a nossa gente é manipulada, enganada, usada e abusada na sua santa ignorância e inocência.
É de lá que vem os votos que a cada quatro anos elegem os “coronés” de sobrenomes conhecidos, que mantém no poder as famílias abastadas, que sustentam uma prática política atrasada e que perpetuam uma realidade eleitoral abusiva e abjeta.
É pra lá que governos despejam todas os donativos em forma de bolsa isso e aquilo para, a cada quatro anos, cobrarem o retorno para se manterem no poder.
Enquanto essa gente não tiver terra produtiva e água farta, enquanto o povo nordestino não receber educação adequada, enquanto não tiverem acesso à saúde, saneamento básico e renda, continuarão a achar que devem favores eleitorais aos seus “benfeitores”.
Foi esse fator nordeste fortemente atrelado a falcatruas e manipulação eleitoral que deram votos e “vitória” ao PT e seu candidato.
O fator nordeste e seus desdobramentos vão continuar a produzir políticos e sustentar poderes nas mãos de quem melhor souber atuar e se aproveitar das circunstâncias de uma região do Brasil de gente sofrida mas trabalhadora, honesta e resiliente.
O jogo eleitoral mal explicado acabou mas o processo político não terminou. Aliás, está
apenas começando.
Deus salve o nordeste. Deus salve o Brasil.
Té logo!
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