Acelerador linear não esconde o caos que vive a FCecon, onde falta tudo, até medicamentos simples

O governador José Melo anunciou com pompa e circunstância a aquisição de um moderno equipamento para o tratamento do câncer, o acelerador linear. Ocorre que a solução dos problemas dos pacientes ainda está longe de ocorrer por uma questão de ineficiência. Na unidade, comandada pelo médico Marco Antonio Ricci Correa Junior, faltam os insumos mais básicos e pacientes estão morrendo por falta de medicamentos e equipamentos simples.

As necessidades são as mais básicas, fruto de uma gestão absolutamente incompetente; Faltam os antibióticos mais simples, que serviriam para tratar infecções oportunistas, comuns em casos de câncer. Os mais caros, que seriam a alternativa mais viável, também não aparecem na farmácia da unidade. Não é raro que parentes dos pacientes tenham que comprar medicamentos comuns, como o captopril, para controlar a pressão e evitar o infarto. Problema que se repete com os medicamentos quimioterápicos, que deixam de ser entregues por semanas.

As Unidades de Terapia Intensiva da unidade vivem em crise. Falta, por exemplo, cateter venoso central e material para aferir a pressão arterial, o que contraria as normais mais simples da área médica. Três leitos da UTI estão bloqueados porque falta bomba de infusão e o monitor da respiração.

As cirurgia são constantemente canceladas por falta de material cirúrgico. Muitas vezes os médicos se recusam a fazer os procedimentos por não ter segurança na condução anestésica. Aliás, Correa Junior não conseguiu implantar protocolos internos, como deveria ocorrer em unidades de referência. Sem fluxos operacionais definidos, cada funcionário decide o que fazer. Isso acaba atrapalhando o trabalho.

No corredor do laboratório, uma imagem é impactante. Caixas com pedaços de órgãos humanos estão empilhados, aguardando exames de biopsia e exames histopatológico.  Não é raro que pacientes morram aguardando o resultado deles. Sem o diagnóstico correto, uma doença como o câncer não pode ser tratada em hipótese nenhuma.

O aparelho de raio-x móvel, que numa unidade como o FCecon é fundamental, em função da dificuldade de locomoção da maioria dos pacientes, passa semanas sem funcionar, por pura ineficiência.

Uma observação mais atenta em todas as dependências detecta facilmente o sucateamento de alguns setores e a absoluta ausência de manutenção preventiva.

Para piorar, o risco de infecção é constante. Além do controle de acesso de pessoas ao hospital ser absolutamente frouxo, a lavanderia não funciona a contento, o que obriga parentes de pacientes a levar lençóis, fronhas e colchas para lavar em casa. Isso provoca a entrada de germes na unidade, bem como representa um risco para quem leva a roupa para o ambiente doméstico, sem qualquer prevenção.

Corrêa Junior (que na foto acima aparece à direita, dividindo a pose com o secretário de Saúde, Pedro Elias, com o governador José Melo e com uma paciente) é considerado pelos colegas um gestor relapso e irresponsável, que é capaz até de abandonar plantões para ir a compromissos mal explicados.

Como se vê, para quem vive uma situação tão delicada quando os pacientes de câncer, a assistência do Estado anda deixando muito a desejar.

 

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