A política da confiança e da credibilidade

Por Carlos Santiago*

Numa democracia representativa influenciada pela comunicação de massa, com a política tradicional (Direita x Esquerda) em declínio e com a necessidade urgente de se resolver os problemas coletivos na complexa vida moderna, o antropólogo americano John Thompson (2000) diz que surgem eleitores que buscam eleger representes e governantes baseados na confiança e na credibilidade para garantir a efetivação das promessas de campanhas eleitorais e combater os péssimos políticos envolvidos em escândalos.

No Brasil, além da crise econômica sem precedentes, da crise entre os poderes da República e do sistema político, o País passa também por uma crise de falta de confiança e de credibilidade da classe dirigente. Caciques políticos de todas os matizes ideológicos que governaram foram atingidos por escândalos de corrupção, deixando o eleitor sem parâmetros morais e de ética para escolha de seus governantes e representes, chegando a criar uma repulsa social pela política e um forte descrédito pelas instituições do Estado.

Diagnósticos corretos, ou não, e com propostas lançadas para superar a crise fiscal e econômica existem no governo Bolsonaro. No entanto, com um chefe de governo sem vocação, sem uma base sólida no Congresso Nacional e o envolvimento de um membro da família do presidente em escândalos, a confiança e a credibilidade que também lhes deram votos nas eleições começam a faltar. Segundo pesquisa feita pela empresa XP, o governo Bolsonaro vem perdendo confiança e credibilidade – o índice de 36% de “ruim ou péssimo”, superando o “ótimo ou bom” que alcançou 34%, o que acaba dificultando a organização de uma base de apoio no Congresso Nacional e aprovações de propostas de reformas de autoria do Executivo.

A falta confiança e de credibilidade do eleitorado não se restringe somente ao governo federal, ela atinge também lideranças políticas e partidos de oposição envolvidos em casos de corrupção. Soma-se a isso a falta de um projeto alternativo de oposição que traga melhoria na economia, que resolva em médio prazo o déficit fiscal que enfrentam os estados, que eleve positivamente os índices de educação, de saúde, do meio ambiente, de emprego e de segurança pública. É uma luta na busca da confiança e da credibilidade perdida.

No Amazonas não é diferente. O ex-governador do Amazonas responde a vários processos envolvendo corrupção e uso da máquina pública para ganhar as eleições. Político da velha safra, ele comandava um governo atacado pela incompetência. Quando propôs resolver os problemas do Estado na campanha para a sua reeleição, faltaram-lhe amparo popular e apoio dos aliados. Ele já não contava à época com confiança e credibilidade, nem seus maiores opositores com confiança popular e credibilidade. Diante desse cenário, o eleitor preferiu votar em alguém fora do mundo da política tradicional, que, agora, devido denúncias e a falta de vocação para liderar, recebe o descrédito de uma parcela da sociedade.

Na política local, vários políticos já anunciaram ou articulam possíveis candidaturas ao cargo de prefeito. Nomes, promessas e propostas não faltam. Problemas, também não. Transporte precário, saneamento inexistente, saúde básica sem cobertura em toda cidade, trânsito sem controle, dentre outros. Enfim, faltam confiança e credibilidade na classe política e nos partidos que governam ou já governaram e que deixaram ou ajudaram a deixar Manaus com dívidas sociais e de gestão pública enormes.

É tempo de buscar a confiança e a credibilidade do eleitorado, pois promessas, propostas, partidos políticos e pré-candidatos ou candidatos não faltarão num Brasil cansado com tanta crise econômica e escândalos de corrupção.

*O autor é sociólogo, analista político e advogado.

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