A luta contra a dependência química é um desafio que afeta milhões de brasileiros e no Amazonas. Esta semana uma história de superação veio à tona. Adriano Campos de Almeida, ex- dependente de crack, contou com uma ajuda fundamental para se recuperar: Abu Nidal, carinhosamente conhecido como “Gringo”, um imigrante de origem libanesa que vive há 30 anos em Manaus, onde atua auxiliando migrantes e refugiados a conseguirem documentação, o encaminhou para um serviço do Estado que atua na recuperação de viciados.
“Eu morei na rua por um bom tempo, inclusive contraí algumas doenças, como tuberculose e pneumonia, por conta das drogas que eu fumava em esponja de aço”, revela Almeida. Foi quando ele conheceu “Gringo”, que o encaminhou à Gerência de Políticas sobre Álcool e outras Drogas (GPAD) da Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), responsável por articular e coordenar atividades de prevenção ao uso abusivo de álcool de outras drogas.
Almeida foi um dos 400 dependentes químicos atendidos este ano pelo serviço e está entre os 35 que tiveram de ser internados. “Isso é uma conquista, é uma vitória. Isso me dá muita alegria”, festeja.
Gringo conta que, além de Adriano, também já ajudou outros dependentes químicos a se livrarem das drogas – o que fez com que continuasse a auxiliar todos que o procuram. “Isso é mais um incentivo para eu continuar nessa área, porque não é fácil, é muito difícil. Tem muitas mães de família me procurando, me ligando. Então, seguimos trabalhando, porque tenho certeza que vai dar tudo certo”, acrescentou.
Processo
Logo após conhecer Gringo, Adriano foi direcionado à gerência da Sejusc. De lá, foi encaminhado à uma unidade do Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), onde foi atendido por psicólogos. “Depois de uma semana [no CAPs], fui direcionado ao Centro de Reabilitação em Dependência Química Ismael Abdel Aziz (CRDQ), onde fiquei um mês e meio em isolamento, por conta da tuberculose”, contou.
Ele chegou ao centro pesando 60 quilos, muito abaixo do seu ideal. Hoje, Adriano está há quase oito meses ‘limpo’. “Tem que acreditar em si próprio e ter força de vontade. Eu era um cara desacreditado, que passava fome e usava droga 24h por dia, não tomava café da manhã, almoçava ou jantava. Eu quis mudar”, reforçou o ex-dependente químico.
Sobre o serviço, ele é somente elogios: “Desde que saí da internação, as pessoas seguem me ajudando. Assim como quando eu cheguei [na GPAD], parecia que era um filho deles, me acolheram de braços abertos, mesmo não me conhecendo”, completou Adriano.
Gerência
Além do serviço com dependentes químicos, a GPAD define estratégias e elabora planos e programas para alcançar os objetivos propostos na Política Nacional sobre Drogas. Por meio de ações realizadas em escolas, festas e movimentos sociais, o serviço alcança público em Manaus e no interior do estado.
Um exemplo dessas atividades é a palestra sobre práticas humanísticas no atendimento a usuários e/ou dependentes de drogas voltada a servidores de campo da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap).
A ação é pautada em três questionamentos: como lidar, como conduzir e para onde encaminhar a pessoa assistida. Desta forma, a palestra serve como guia para que os trabalhadores atuem com foco na segurança, dignidade e direito da pessoa assistida pelos órgãos de referência, assegurando que todo esse serviço seja ofertado com qualidade.
FOTO: Lincoln Ferreira
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