Por Dermilson Chagas*
A greve dos caminhoneiros radicaliza e revela uma crise política e econômica aguda, sem precedentes, cujas consequências hoje ninguém, com segurança mínima, arrisca a predizer. Mais do que isso, o movimento – até agora vigoroso e vitorioso nos seus objetivos – escancara as fraturas expostas de um governo central fraco, humilhado, desmoralizado, quase zero de apoio popular, de joelhos e refém, não dos indignados e revoltosos motoristas brasileiros, mas das próprias decisões insanas, inconsequentes, quase sempre eivadas de erros e de maldades perpetradas contra a população brasileira.
O caso da política de preços dos combustíveis do governo Temer é uma dessas determinações estúpidas, uma aberração cujo script, hoje retratado nas estradas bloqueadas e nas atividades econômicas asfixiadas, já estava definido. É que para salvar a Petrobrás, o governo federal resolveu jogar contra uma população inteira, de 210 milhões de pessoas, não acionistas daquela empresa, e todas, de alguma forma, dependentes do “ouro negro”, que definitivamente NÃO É NOSSO.
E a Petrobrás do senhor Pedro Parente, com o aval do fragilizado Temer, resolveu atrelar o valor dos combustíveis – gasolina e diesel – praticados no mercado interno, à variação do dólar americano e nos preços internacionais do barril de petróleo, também cotado em dólar. E a razão da maldade é simples e matemática: a indexação dos valores foi decidida com os preços do petróleo nos seus níveis históricos mais baixos, em torno de U$ 40/barril, e deu no que deu.
Ora, se a esperada recuperação dos preços no mercado internacional do produto, que já bateu os U$ 80/barril, elevando os preços internos da gasolina de R$ 2,50 a mais de R$ 5,00/litro, por que não esperar também, persistindo as razões, que os preços do barril possam retornar ao patamar histórico de 2008, quando chegou a 132 dólares? Neste caso, totalmente previsível, mantida a política de preços indexados, logo a gasolina estará chegando aos R$ 9,00 ou R$ 10,00/litro, valores absurdos e totalmente incompatíveis com a realidade da economia brasileira.
Portanto, a questão crucial da crise dos combustíveis não se resume apenas a retirar alguns pontos percentuais de impostos para compensar momentaneamente os valores estratosféricos atuais. Além disso, urgente e imprescindível é rever a política adotada, posto que os preços futuros também estarão contaminados e contribuindo para o caos e a desordem iguais ou piores às que assistimos agora. O Brasil agradece!
Somar-se aos caminhoneiros nessa luta que é nacional, significa também estar ao lado dos agricultores e dos pescadores do Estado do Amazonas, que sofrem com a mesma política que eleva os preços dos combustíveis usados nas embarcações que transportam os produtos agrícolas e os pescados na região.
*O autor é deputado estadual pelo PP
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Este post tem um comentário
Uma opinião coerente e lúcida, deputado Dermilson. A crise dos combustíveis no Brasil, mais do que os altos impostos que incidem sobre os preços, hoje está exacerbada pela política de reajustes diários atrelados aos preços do barril de petróleo, no mercado internacional. Esse é o cerne da questão. O governo dissimula a verdadeira causa, não a coloca na mesa de negociações, mas está mais do que claro que a economia brasileira não suporta os tais reajustes diários indexados. Isso só interessa à Petrobrás e aos seus acionistas que exigem altos lucros e dividendos. Natimorta, portanto, será qualquer proposta para solucionar os impasses gerados com os caminhoneiros – e todos os demais usuários e dependentes do produto – que não leve em consideração a alteração da atual política de preços, uma aberração que está sendo imposta à nação. É preciso reagir. Como os preços externos do petróleo estão em ascensão, é de se esperar que logo os pontos percentuais reduzidos da Cide, nos preços atuais, pelo governo, sejam engolidos pelas correções futuras e todos os esforços envidados, agora, terão sido em vão. A luta, portanto, é contra a política de preços da Petrobrás, e a favor do Brasil.