Por José Ricardo Weddling*
Dois serviços essenciais para a vida da população são motivo de debate e manifestação da sociedade: o fornecimento de energia e o serviço de transporte público coletivo.
Há vários dias municípios do entorno de Manaus estão sem energia elétrica. Os moradores de Manacapuru, Iranduba e Novo Airão sofrendo com o apagão elétrico que ainda não tem prazo exato para voltar à normalidade.
A responsável pela distribuição de energia é a empresa Amazonas Energia. Ela diz que foi o rompimento de um cabo subaquático. Está em recuperação. Estão de forma emergencial retomando funcionamento de geradores de energia movidos a diesel.
O transtorno e os prejuízos são grandes para a população, para o dia a dia das pessoas, para o comércio e para todos os serviços públicos.
Daí não é de se estranhar a revolta do povo, as manifestações de protesto e até o fechamento momentâneo das estradas, tanto para Manacapuru quanto para Iranduba.
Recentemente a empresa foi privatizada. Até agora nenhum anúncio de investimentos para melhorar o serviço. Não deveria ter problemas de fornecimento de energia, pois a região recebe o gás de Urucu/Coari e tem a energia que vem de Tucuruí, interligando com o sistema nacional.
Tudo indica que essa privatização vai dificultar muito a vida da população e até comprometer a continuidade do Programa Luz para Todos.
Sobre o transporte coletivo, ficamos surpresos com o anúncio do prefeito de Manaus de intervir nas empresas de ônibus da cidade. O problema é acreditar nessa medida, pois a Prefeitura, na atual gestão que já completa quase sete anos, nada foi fez para melhorar o sistema.
Manaus tem uma alta tarifa. Mas um serviço que não oferece segurança e qualidade. A frota está envelhecida. A Lei Municipal define a vida útil dos ônibus em 10 anos. Antes era de sete anos, mas tem centenas de ônibus com 10, 11, 12 e até 13 anos circulando. Sem fiscalização.
Os quase 200 ônibus articulados não se aguentam em pé. Alguns partindo ao meio e sempre “pifando” nas ruas. No geral, a frota não cresce. A operante não chega a 1.500 veículos. Deveria ter 200 a 300 ônibus novos todo ano conforme a Lei Orgânica do Município.
Há dois anos, juntamente com o ex-vereador Waldemir José, fiz denúncias ao ministério público. Mas anos antes, já vínhamos fazendo com o então deputado federal Francisco Praciano. Portanto, nossa luta pela melhoria do transporte público de Manaus é antiga.
A planilha de custos é uma caixa fechada. Não sei se o prefeito vai de verdade intervir. Ele não tem coragem. Na verdade, é a velha estratégia. Vai dizer que irá cobrar o cumprimento do contrato e depois negocia e autoriza aumento da tarifa, com a justificativa de trazer novos ônibus e garantir os salários dos trabalhadores rodoviários.
Em ano de eleição não aumenta tarifa. Mas em ano como o atual, a tendência é aumentar a passagem de ônibus.
O transporte coletivo público é direito social previsto na Constituição. Cabe o poder público garantir o serviço com qualidade, segurança e preço justo.
Os protestos do povo pelo direito à energia e ao transporte público precisam ser ouvidos pelos governantes.
*O autor é economista e deputado federal pelo PT
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