A década perdida e o brincante

Por Carlos Santiago*

O período de 2011 a 2020 será a década perdida para a economia brasileira, com crescimento médio de apenas 0,9% ao ano, um desempenho econômico pior do que os registrados nos anos 1980, quando o Produto Interno Bruto avançou em média 1,6% ao ano, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Isso eleva ainda mais as responsabilidades dos novos dirigentes do Poder Executivo, do Poder Legislativo, do Poder Judiciário e das lideranças sociais a buscarem saídas para a crise econômica que tem reflexo no social e nas instituições.

Atualmente, o país vivencia uma nova crise, iniciada no ano de 2014. Essa crise é refletida na redução da riqueza produzida no país. Conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2017), no ano de início da crise, o registro de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) foi na ordem de 0,5%, bem abaixo do índice de 3,0% do ano de 2013. No período de 2015, houve uma queda acentuada de 3,8% em relação ao ano anterior, sendo o pior resultado desde 1990. Em 2016, o recuo foi de 3,6% do PIB, consagrando assim a pior recessão da história do Brasil.

A queda do PIB aconteceu em todos os Estados da Federação. Numa análise comparativa entre 2014 e 2015, os piores indicadores de decréscimo ficaram com os Estados do Amapá (-5,5%), do Amazonas (-5,4%) e do Rio Grande do Sul (-4,6%). O Amazonas, além de uma queda de – 5,4% do PIB, ainda teve uma perda na participação na riqueza nacional, caindo de 1,5% para 1,4%.

A crise econômica atinge a empregabilidade. De acordo com o IBGE (2017), entre os anos de 2014 a 2017, foram 6,5 milhões de desempregados a mais no país, alcançando 13,2 milhões de pessoas, um crescimento de 96,2%. Esse cenário trouxe forte reflexo na renda das famílias e no consumo, além de uma enorme queda na arrecadação pública.

Ainda em 2015, no Amazonas, a produção física na indústria apresentou um recuo de 17,3%, sendo sentido negativamente na geração de emprego, havendo uma redução de (-24,98%) de empregos, em comparação ao ano de 2014, revelando ainda um declínio de 2, 64% na quantidade de empresas do Polo industrial de Manaus.

A dívida pública (contraída pelo governo com entidades financeiras ou pessoas da sociedade para financiar parte de seus gastos que não são cobertos com a arrecadação de impostos ou alcançar alguns objetivos de gestão econômica) deverá ultrapassar 80% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2020, quase o dobro da média dos países emergentes, de (48,3%) do PIB.

Nesse cenário trágico, o presidente da Câmara dos Deputados e o presidente da República foram eleitos para buscar soluções aos problemas econômicos, políticos e sociais. No entanto, eles estão utilizando as redes sociais para saber quem é o mais “brincante”, pois se negam a governar e articular um pacto político para aprovar reformas econômicas e políticas. Nessa “brincadeira”, participa também o presidente do Supremo Tribunal Federal que escolheu a fake news como a grande inimiga da República.

*O autor é sociólogo, analista político e advogado

 

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