A crise relacionada a falta de oxigênio atingiu o município de Coari. Na manhã de hoje, sete pacientes que estavam internados no Hospital Regional local tiveram suas vidas interrompidas por falta de oxigênio. Em nota, a Prefeitura disse que, desde a semana passada, em torno de 200 cilindros daquela unidade de saúde ficaram retidos pelo patrimônio da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas, a maioria aguardando abastecimento, enquanto a outra parte foi distribuída para as Unidades Básicas de Saúde da capital.
Por conta disso, a Prefeitura chegou a fazer na semana passada uma requisição administrativa de novos cilindros de oxigênio para atender a demanda do hospital, mas, por não ser o suficiente, solicitou através de ofício que o Governo do Estado fizesse a liberação de todos os cilindros do município para que pudesse manter a normalidade de atendimento sem submeter os pacientes internados no Hospital Regional em risco de faltar oxigênio.
Ainda conforme a Prefeitura, na segunda-feira, 19, representantes da Secretaria Municipal de Saúde e do Hospital Regional estiveram durante todo o dia em contato com a SES-AM, que informou e confirmou o envio de 40 cilindros de oxigênio para Coari. O insumo estava previsto para chegar por volta das 18h no aeroporto da cidade, porém, o voo passou direto para o município de Tefé, ficando impossibilitado de retornar para Coari, uma vez que, no momento, o município não opera voos noturnos.
Os cilindros só chegaram às 7h desta terça-feira de Tefé e, infelizmente, o Hospital Regional de Coari só tinha até 6h de oxigênio. “A Prefeitura se solidariza com as famílias enlutadas e informa que vai dar todo apoio e assistência às famílias”, diz em nota.
Usina própria
A Prefeitura de Coari ressaltou, ainda, que justamente por conta do grave cenário da pandemia de Covid-19 no Estado do Amazonas, e da retenção dos cilindros pela SES-AM, adquiriu uma usina própria de oxigênio. A estrutura chegou na última segunda-feira no município, após uma verdadeira operação de guerra.
A usina deve entrar em funcionamento em breve com capacidade de produção de geração de oxigênio de 648 metros cúbicos por dia, que corresponde a uma capacidade de envasamento de cilindros de 85 unidades ao dia. A concentração de pureza do oxigênio produzido será de 93 à 96%, padrão ANVISA.
Direito de resposta
A SES-AM divulgou a seguinte nota:
“A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) lamenta o ocorrido no município de Coari. A SES-AM informa que, por opção do município, o sistema de saúde na cidade é independente, sendo a gestão plena da Prefeitura Municipal. Ainda assim, o Governo do Estado nunca se furtou de auxiliar a administração local, entre outras coisas, com o fornecimento de oxigênio.
Nesta segunda-feira (18/01), por um atraso por parte da empresa White Martins em liberar os cilindros que seriam enviados de Manaus para Coari, não foi possível levar o oxigênio em voo direto, considerando que o aeroporto da cidade não opera à noite.
Para garantir que a cidade não ficasse desabastecida, por articulação da Secretaria de Estado de Saúde, os 40 cilindros foram enviados em voo para Tefé, para que de lá a carga fosse transportada de lancha para Coari.
A transferência dos cilindros de lancha para Coari foi alinhada com a cooperação da prefeitura de Tefé e, de acordo com a Secretaria Executiva Adjunta do Interior, da SES-AM (SEAI-SES/AM), houve um novo atraso na saída da lancha para Coari, o que contribuiu também para que a chegada do material não ocorresse no tempo necessário.
Entre repasses federais e estaduais para investimento em saúde em 2020, Coari recebeu R$ 17,8 milhões. Somente do FTI, foram R$ 2,3 milhões.
A SEAI-SES/AM destaca que nesse cenário de pandemia é fundamental a colaboração de todos os atores do Estado, inclusive dos gestores municipais.
O Estado do Amazonas segue empregando todos os esforços para equacionar a dificuldade de logística e de abastecimento de oxigênio da empresa White Martins. Ao mesmo tempo em que está unindo esforços para transportar cilindros de oxigênio para todo estado.
As entregas e envios seguem ocorrendo diariamente para os municípios do interior, seja por envio terrestre, aéreo ou em retirada pelos municípios na sede do patrimônio da SES, localizada na Central de Medicamentos.”
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