Está ficando muito claro, desde ontem, que existem dois tipos de ocupantes dos terrenos invadidos na área que ficou conhecida como Monte Horebe, na zona Norte de Manaus. De um lado estão pessoas que realmente querem um pedaço de terra para erguer uma moradia. De outro, marionetes de traficantes que querem apenas tumultuar o processo para preservar nacos do comércio de entorpecentes na área.
A separação ficou ainda mais evidente ontem, no início da noite, quando uma manifestação foi montada na entrada do conjunto Viver Melhor. Os métodos foram muito semelhantes àqueles usados pelos traficantes para conquistar territórios: ataques a ônibus (alguns foram depredados), destruição do patrimônio público (inclusive uma viatura do Corpo de Bombeiros), afronta à Polícia e amedrontamento de cidadãos comuns. Isso sem contar a utilização farta de fogos de artifício e a construção de barreiras.
De fato os traficantes saíram da área da Monte Horebe no final de semana, antes do início do processo de desapropriação. Levaram armas e drogas, segundo confirmou a própria Secretaria de Segurança. Ontem, retornaram usando a população como escudo, montando um “protesto”. A Polícia, que tem atuado dentro de um planejamento montado há quatro meses, não reagiu, apenas protegeu quem não tinha nenhuma relação com a situação.
O secretário de Segurança, Louismar Bonates, confirmou hoje que foram os traficantes que montaram a baderna de ontem. Ele disse que foram usados coquetéis molotov (arma caseira feita com uma garrafa e querosene) e disse que os líderes da manifestação estão sendo identificados e serão presos.
Neste momento a Polícia trabalha para liberar o acesso à segunda etapa do Condomínio Viver Melhor, justamente aquela mais próxima à Monte Horebe. Os ônibus não estão entrando no local.
BALANÇO
Em balanço divulgado ontem, após dois dias de reintegração de posse do Monte Horebe, o Governo do Amazonas contabiliza 487 famílias atendidas pela equipe social, no Colégio Militar da Polícia Militar VI (CMPM VI), no Residencial Viver Melhor. Desse total, 260 famílias já formalizaram os acordos que asseguram o pagamento do auxílio-aluguel de R$ 600 até a adoção definitiva da solução de moradia.
Entre segunda e terça, o levantamento realizado pela equipe da força-tarefa do Estado apontou 1.017 imóveis que possuem famílias. Mais de 700 imóveis foram demolidos por não ter qualquer pessoa residindo. Cerca de 60% da área total já foi atendida pela selagem, que a identificação da residência, para que a família receba o atendimento social.
A secretária de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), Caroline Braz, explica que está sendo feito um trabalho de filtro e cruzamento de dados para identificar e beneficiar as famílias realmente necessitadas.
“É uma ação para que as pessoas mais carentes não sejam prejudicadas, então, a partir do momento em que elas realizam o cadastramento, as equipes do social verificam in loco a situação delas e entregam um protocolo. Depois, elas se deslocam até a escola, onde é feito um cadastro mais minucioso. A partir desse cadastro, o Estado vai analisar e averiguar quais são as famílias que realmente tem necessidade de receber o auxílio-aluguel”, destaca Caroline Braz.
A secretária explica que após o cadastro na escola, os moradores recebem um protocolo, que funciona como um comprovante de residência. “Com esse documento ela pode sair da comunidade e retornar para a comunidade apresentando o protocolo, sem ter nenhum problema, porque essas famílias realmente poderão dormir nessa casa até que seja concedido o auxílio”, explica.
“Esse modelo é algo histórico e que ficará de exemplo para o resto do país, porque nunca se fez uma reintegração de posse visando famílias carentes, então, hoje o Estado do Amazonas está mostrando que é possível unir a segurança pública com o social sem prejudicar as famílias que realmente precisam”, completa a secretária da Sejusc.
O trabalho é coordenado pela rede de assistência social do Estado, composta por profissionais das secretarias de Estado de Justiça, Direito Humanos e Cidadania (Sejusc) e Assistência Social (Seas), Superintendência Habitacional no Amazonas (Suhab) e Unidade de Gestão Integrada (UGI).
Aparato de segurança
A ação social de desocupação no Monte Horebe conta com o apoio das forças de segurança do Estado. “A ação social do Governo está transcorrendo dentro da mais perfeita normalidade. A população passou a acreditar na ação, estão indo para o Colégio da Polícia Militar se cadastrar, estão colaborando com a gente. Nós não temos pressa em fazer essa ação, o que nós queremos é dar um tratamento totalmente humanizado”, observou o secretário de Segurança Pública, coronel Louismar Bonates.
Meio Ambiente
A área onde está localizada a ocupação irregular Monte Horebe fica nas proximidades da Reserva Adolpho Ducke e receberá ações de recuperação ambiental. Equipes da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) e do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam)
“A ideia é aguardar a desocupação, ordeira do jeito que está sendo, para que a gente comece a trabalhar no primeiro ponto, que é a destinação desses resíduos que foram produzidos nessa invasão. Posterior a isso nós temos que atuar nas áreas de preservação permanente, que também foram atingidas com esse desmatamento e, da mesma forma, tem o cuidado bem especial com o fluxo dos igarapés”, informou Rogério Bessa, chefe do departamento de mudanças climáticas da Sema.
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