Polêmica nas escolas de samba de Manaus: falta de apoio gera medidas extremas

Reunidos ontem na quadra da escola de samba Vitória Régia, na Praça 14, zona Sul de Manaus, os presidentes de sete das oito escolas de samba que compõem o Grupo Especial do Carnaval da capital, decidiram limitar o uso de carros alegóricos a três unidades e impedir a queda de qualquer agremiação para o Primeiro Grupo ou o acesso de integrantes deste à elite. A Aparecida foi a única a se manifestar contrária às decisões. O motivo alegado pela maioria foi a falta de apoio oficial, o que está gerando dificuldades na organização dos desfiles.

Nos bastidores, o blog apurou que a decisão dos sete dirigentes é uma forma de pressionar o Governo do Estado e a Prefeitura de Manaus a liberar os recursos para as escolas de samba. Ocorre que boa parte delas enfrenta problemas com documentação e principalmente com a prestação de contas dos recursos utilizados em Carnavais passados. Em 2019, algumas agremiações chegaram a ficar sem repasses.

A decisão será comunicada oficialmente à TV A Crítica, detentora dos direitos de arena do Carnaval de Manaus.

“Fala-se em dificuldades financeiras que são inerentes aos desfiles na cidade de Manaus, não sendo uma exclusividade nesse momento, já que em todo o país as dificuldades são as mesmas”, diz nota distribuída ainda ontem à noite pelo presidente da escola de samba Aparecida, Luiz Pacheco, o único a se opor à decisão. “Limitar o número máximo de alegorias e restringir o formato de disputa, acabando com o acesso e o descenso, é uma demonstração inequívoca de incompetência o que destrói o sonho de crescimento de instituições culturais dos grupos menores”.

O ex-presidente da Reino Unido da Liberdade, Jairo de Paula Beira-Mar, foi às redes sociais contestá-lo. “No passado ele prometeu aos presidentes que, pra levantar o Carnaval de Manaus, teria que passar um determinado período sem acesso e descenso, pois eram somente estas agremiações do grupo especial que faziam o “belo” desfile. Só não obteve êxito em seu intento, porque não conseguiu assumir a presidência da CEESMA (entidade que dirige o evento), mesmo a despeito de ter feito uma eleição fraudulenta pra se eleger, que a Justiça cassou. Agora ele mudou de ideia. Porque será?”, disse.

A polêmica está instalada e deve apimentar ainda mais o já aviltado meio das escolas de samba de Manaus. No ano passado, as idas e vindas aos dirigentes afugentaram o público e o que se viu, pela primeira vez desde que os desfiles começaram, na década de 60, uma passarela esvaziada, com pouco público.

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