A mobilização geral dos docentes da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), realizada nos dias 28 e 30 de abril em todos os campi da instituição, em Tefé, Parintins, Itacoatiara, Tabatinga e Manaus, marca a rearticulação da luta coletiva da categoria diante do acúmulo de perdas salariais e da precarização das condições de trabalho. As atividades, que envolveram panfletagens, rodas de conversa, visitas às salas de aula
e diálogo direto com estudantes e comunidade acadêmica, evidenciaram não apenas a insatisfação com o cenário atual, mas, sobretudo, a retomada da capacidade de organização e mobilização da categoria docente na UEA.
Um dos principais elementos políticos da mobilização foi a construção de unidade entre docentes do interior e da capital, com forte adesão justamente das unidades mais impactadas pela precarização. A mobilização demonstrou que a pauta docente não está fragmentada e agora se expressa como um movimento coletivo, articulando diferentes realidades, enfatizado que a categoria docente se reconhece como sujeito coletivo de luta por melhores condições de trabalho e valorização docente.
A mobilização tornou visível um conjunto de problemas que afetam diretamente o funcionamento da UEA, sobretudo, as perdas salariais acumuladas superiores a 24% e descumprimento sistemático da data-base, a falta de professores concursados e déficit de técnicos e a sobrecarga de trabalho e adoecimento docente. Todos esses aspectos resultam num processo de precarização das condições de ensino que se intensificam especialmente nos campi do interior.
Esse cenário não é pontual e resulta de um padrão prolongado de desvalorização da carreira docente, que compromete a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão desenvolvidos na UEA e exigem resposta imediata do poder público.
Para a diretoria do Sindicato dos Docentes da UEA (Sind-UEA), um dos desafios centrais do próximo período é romper a invisibilidade dessas pautas perante a sociedade. A entidade avalia que a defesa da valorização docente não é uma demanda corporativa, mas uma condição para garantir a qualidade da formação acadêmica, a permanência de profissionais qualificados e o funcionamento adequado da UEA enquanto importante instituição pública de ensino e pesquisa no Amazonas.
A presidenta da entidade, Mônica Xavier, professora do Centro de Estudos Superiores de Parintins (CESP/UEA), aponta que o momento é de ampliar a mobilização nas unidades e envolver de forma mais orgânica estudantes e técnicos. Segundo ela, “a categoria demonstrou disposição de luta. Agora o desafio é transformar essa disposição em força organizada capaz de garantir direitos.”, analisou.
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