Depois de quase uma década, longa-metragem totalmente amazonense é produzido e estreia hoje no Casarão das Ideias: Sete Cores da Amazônia

Manaus volta a receber nas telas uma obra de identidade profundamente amazonense. No próximo 23 de abril, às 19h, o longa-metragem Sete Cores da Amazônia, dirigido por Ana Lígia Pimentel, entra em cartaz no Centro Cultural Casarão de Ideias, na sala de cinema da Casa Amarela, em Manaus. A sessão marca um novo capítulo na trajetória do filme e fortalece o encontro da obra com o público da cidade onde sua história nasce, ganha corpo e encontra sua mais profunda ressonância.

Baseado na HQ homônima de Ademar Vieira, o filme acompanha Sarah, menina que vive nas palafitas da periferia de Manaus e vê seu mundo se transformar ao conhecer a avó, Ceucy. A partir desse encontro, inicia uma jornada de descoberta de suas raízes indígenas, em uma narrativa sensível sobre pertencimento, memória e identidade. Com 79 minutos, classificação livre e elenco formado por Maria Zen, Petta Catão, Sissy Mendes, Geiberson Teixeira e Uyra Sodoma, o longa coloca a Amazônia no centro da narrativa não como paisagem, mas como origem, afeto e futuro.

A trajetória de Sete Cores da Amazônia começou em 2018, com o lançamento da HQ pelo estúdio Black Eye, e ganhou impulso decisivo em 2020, quando o projeto cinematográfico foi contemplado em primeiro lugar no Edital Prêmio Feliciano Lana, viabilizado pela Lei Aldir Blanc. Desde então, o filme vem construindo uma circulação relevante dentro e fora do Brasil. Teve exibição internacional no 10º Mambe Festival, na Colômbia, em 2022, em sessão anunciada em espanhol como Los Siete Colores de la Amazonía, com Ana Lígia Pimentel apresentada como convidada internacional.

Depois, a obra ampliou sua presença no circuito nacional com seleção para a Glocal Experience Amazônia e consolidou-se como uma das produções mais representativas do audiovisual amazonense recente. O filme também circulou pelo Montreal Independent Film Festival 2022, LA Independent Women Film Awards 2022, Mostra Paralela do Festival Guarnicê 2023 e pela 6ª Mostra Internacional de Cinema Livre de São Paulo 2023. Em seguida, alcançou o circuito infantojuvenil e espaços de prestígio como a Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, em 2024, e a Cinemateca Brasileira.

A entrada em cartaz de Sete Cores da Amazônia também joga luz sobre uma questão urgente: a presença ainda rara de longas produzidos por produtoras amazonenses nas salas de cinema. O longa-metragem rompe um intervalo de cerca de nove anos sem que outro longa de produção integralmente amazonense, voltasse a ocupar comercialmente as telas de Manaus. Mais do que um lançamento, o filme se torna também um gesto de afirmação cultural: lembrar que o cinema feito no Amazonas precisa circular mais, chegar mais longe e ser visto com mais frequência no próprio Brasil. Os registros oficiais de lançamentos comerciais da Ancine ajudam a dimensionar essa escassez: entre os títulos amazonenses identificados na base estão A Floresta de Jonathas (2013), Antes o Tempo Não Acabava (2017), o que evidencia que a distribuição nacional de obras do estado ainda acontece como exceção, e não como rotina.

Ao chegar ao público manauara neste 23 de abril, Sete Cores da Amazônia reafirma a força de um cinema original, sensível e potente, produzido no
Amazonas e capaz de dialogar com o mundo sem perder sua raiz. Um cinema que precisa não apenas ser celebrado em festivais e mostras, mas também ocupar as salas, formar plateias e consolidar seu espaço no circuito exibidor brasileiro.

Serviço

Filme: Sete Cores da Amazônia
Direção: Ana Lígia Pimentel
Produtora: Queima Filmes
Data: 23 de abril de 2026
Horário: 19h
Local: Centro Cultural Casarão de Ideias – sala de cinema da Casa Amarela
Cidade: Manaus (AM)

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