Todos os que me conhecem ou que convivem comigo enquanto católico, sabem da minha firme posição de crítico ao clericalismo.
Neste espaço de todas as segundas feiras em mais de uma ocasião já tratei desse tema inclusive enviando ao Arcebispo Metropolitano uma carta em que denuncio os abusos litúrgicos ou a posição errática de muitos sacerdotes verdadeiros déspotas perante suas ovelhas.
Em um desses artigos falei sobre a gênese desse transtorno comportamental de boa parte do clero e elenquei uma série de fatores que levam à hipertrofia de muitos sacerdotes.
Retorno ao tema clericalismo, desta feita, por meio de uma bela e certeira abordagem feita por alguém estudioso da matéria.
O autor desse artigo que reproduzo, usa um elemento figurativo muito apropriado para discorrer sobre aspectos relevantes na formação de sacerdotes da Igreja Católica e acerta em cheio.
Deixo então para meu leitores o que diz com precisão o autor lançando luzes sobre um tema cada vez mais caro e preocupante para as lideranças católicas mais relevantes. Vamos então à primeira parte.
“No âmbito da formação presbiteral, tem emergido, ora perceptível de modo sutil, ora claramente, um fenômeno que pode ser pedagogicamente e simbolicamente denominado “teologia de ganso”
‘…A metáfora se refere a candidatos que, à semelhança da ave que se desloca nadando sobre águas profundas sem jamais permitir que suas penas se molhem, desenvolvem uma postura existencial e teológica marcada pela impermeabilidade afetiva, espiritual intelectual e pastoral.
Trata-se de sujeitos vocacionados que atravessam o processo formativo mantendo-se impermeáveis, insensíveis e resistentes à interpelação da realidade, da Palavra e da vida pastoral/comunitária.
Do ponto de vista acadêmico, essa postura representa uma forma de teologia não performativa, no sentido empregado por pedagogos e teólogos: conteúdos são assimilados, mas não se tornam critérios de discernimento; doutrinas são repetidas, mas não se convertem em lentes para interpretar o mundo; textos sagrados são estudados, mas não produzem verdadeira conversão pastoral.
A reflexão teológica, que deveria ser um lugar de encontro entre fé e vida, acaba sendo reduzida a um repertório de ideias de uso funcional, desconectado da experiência. Tudo escorre, tudo desliza. A água nunca penetra.
É uma teologia que “paira” mas “não encarna”.
Os documentos eclesiais referentes à formação sacerdotal, sobretudo após o Concílio Vaticano II (1962-1965) e à luz da Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis (1992), insistem na necessidade de integrar as cinco dimensões formativas: humana-atetiva, comunitaria, espiritual, intelectual e pastoral-missionária.
A “teologia de ganso” revela precisamente o enfraquecimento dessa integração. O candidato pode apresentar desempenho acadêmico eficiente, mas sem deixar que o estudo o transforme interiormente; pode cumprir práticas espirituais, mas sem permitir que a oração abra ou cure feridas; pode participar de estágios pastorais, mas mantendo-se protegido da vulnerabilidade e do encontro real com as dores humanas. Essa impermeabilidade não é apenas um estilo pessoal; é um mecanismo de defesa.
Na próxima semana publicarei a parte final desse artigo/opinião do Eliseu Wisniewski na certeza de que trata-se de um texto primoroso para elucidação em parte dos desvios da formação e de práticas abusivas de parte do clero católico.
Té logo!
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