DE OLHO NO SEU

PREFEITO

MP aciona a Justiça contra Prefeitura de Maraã por causa do valor da obra e falta de transparência na construção de nova sede

Com o objetivo de resguardar o patrimônio público, o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) ingressou com uma ação civil pública (ACP) contra a Prefeitura de Maraã em razão das obras de reforma da sede administrativa do Executivo, realizadas com gastos consideráveis de recursos públicos e sem a devida transparência. A medida é conduzida pela Promotoria de Justiça local.

Até o momento, a prefeitura não divulgou informações referentes a: valores totais; responsáveis técnicos pela execução; projetos arquitetônicos e de engenharia; processos licitatórios realizados; contratos firmados; justificativa técnica para a necessidade da reforma; e cronogramas de execução e gastos. Essa situação fere os princípios da publicidade e transparência da Administração Pública.

A medida destaca que o município já possui histórico de irregularidades, com procedimentos anteriores do MP que evidenciaram gestão inadequada de resíduos sólidos, deficiência na proteção da infância e juventude e falta de transparência municipal e de acesso à informação.

O promotor de Justiça Marcos Túlio Pereira Correia Júnior, responsável pelo caso, ressaltou que, diante desse cenário, a realização de obras de reforma sem a devida transparência representa grave risco ao erário público e impossibilita o adequado controle social e institucional dos gastos públicos.

“Como a prefeitura, durante muitos anos, não demonstrou, por meio do portal da transparência, os contratos e licitações, e, nesta obra, em específico, não informou a empresa responsável, os gastos e os prazos para sua conclusão, o Ministério Público precisou ingressar com essa ação civil pública visando a transparência para impedir sobrepreço e gasto desnecessário”, declarou o promotor.

A Promotoria de Justiça de Maraã requer tutela de urgência para que o município suspenda imediatamente as obras de reforma da sede da prefeitura, até que a transparência seja devidamente comprovada por meio de:

  • Apresentação completa dos projetos arquitetônicos, estruturais e de engenharia;
  • Demonstração detalhada dos valores totais da obra, com cronograma físico-financeiro e fontes de recursos utilizadas;
  • Apresentação integral dos contratos firmados, aditivos contratuais e respectivos responsáveis técnicos e jurídicos;
  • Comprovação da regularidade de todos os processos licitatórios, com editais, propostas, habilitação e julgamento;
  • Justificativa técnica da necessidade da reforma, com laudos e pareceres técnicos;
  • Planilhas orçamentárias detalhadas com comparação de preços de mercado;
  • Cronograma de execução e medições realizadas até a presente data;
  • Disponibilização de todas as informações no portal da transparência municipal;
  • Prestação de contas detalhada dos recursos utilizados.

Pedidos

A ACP solicita que o canteiro de obras seja interditado imediatamente, com lacração de equipamentos e materiais, até que as exigências de transparência sejam cumpridas integralmente. O descumprimento implica em multa diária de R$ 50 mil ao prefeito Edir Costa Castelo Branco, mais conhecido como Pastor Edir (União).

O município de Maraã ainda deve publicar todas as informações sobre a obra de reforma em seu site oficial, no Diário Oficial do Município, em jornal de circulação local e na sede da prefeitura.

A ação também solicita que os responsáveis técnicos pela obra sejam convocados imediatamente para prestar esclarecimentos sobre os contratos, especificações técnicas e valores envolvidos. Por fim, o MP pede que a prefeitura do município mantenha transparência em todas as obras públicas e que sejam criados mecanismos efetivos de controle social.

Qual Sua Opinião? Comente:

Deixe uma resposta