“A acusação do Ministério Público contra minha cliente foi absurda e leviana”, diz advogada de Paola Valeiko

A advogada Tallita Lindoso Silva Maddy, que defendeu Paola Valeiko Molina no caso da morte do engenheiro Flavio Rodrigues dos Santos, disse ao blog em entrevista exclusiva que sua cliente jamais teve envolvimento no crime, nem trabalhou para dificultar as investigações, como acusou o Ministério Público do Estado (MPAM). Segundo ela, a acusação foi “absurda e leviana” e não se sustentou diante das provas, o que acabou acarretando a absolvição da acusada.

Leia a entrevista:

Como a senhora viu a decisão do juiz do caso sobre sua cliente?

Talitta Maddy – A decisão do magistrado foi coesa e tecnicamente muito bem fundamentada, trazendo fim a injustiça vivida não somente pela Paola, como a todos os envolvidos no processo.

Paola teve algum envolvimento de fato no caso?

Talitta Maddy – Definitivamente não. Paola nunca teve envolvimento com a morte do Flávio e muito menos tentou atrapalhar as investigações. A acusação do Ministério Público foi absurda e leviana, não se sustentando diante das provas. Em suas alegações, o Ministério Público afirmou que a casa havia sido lavada com água sanitária e que isso teria atrapalhado a perícia técnica, no entanto, tais alegações são mentirosas e descabidas, uma vez que o próprio perito que esteve no local sustentou não haver cheiro de água sanitária, bem como que a perícia transcorreu sem óbices. Ademais, nenhuma testemunha viu Paola limpando o local (fato que a defesa sempre argumentou: Paola nunca limpou a casa) e, por fim, e ainda mais importante, o referido laudo concluiu que o sangue encontrado na casa era do Alejandro, logo, constatou-se que o engenheiro morreu no local em que seu corpo fora encontrado. Sendo assim, não havia a menor possibilidade do magistrado concluir de outra forma que não pela absolvição de Paola.

A senhora avalia que houve uma tentativa de politizar o caso?

Talitta Maddy – Desde o primeiro dia as investigações sempre foram pautadas em prejudicar politicamente o ex-prefeito Arthur Neto, e não em solucionar a morte brutal de Flávio. As pessoas alegam que Paola e Alejandro só tiveram justiça pelo seu sobrenome, eu discordo, diria sem nenhum receio que eles só sofreram a injustiça de responder a esse processo por dois longos anos pelo fato de serem enteados do ex prefeito Arthur Neto. Desde o princípio tivemos nos autos um réu CONFESSO, porém, todas as matérias divulgadas na mídia sempre foram a respeito de Alejandro e Paola.

Foram difíceis os dias de sua cliente nestes últimos dois anos, diante da situação?

Talitta Maddy – Difícil é uma palavra muito branda para descrever o que Paola e sua família viveram ao longo desses dois anos. Devido as acusações infundadas, sua família foi alvo de represálias e ameaças, nem seus filhos menores escaparam da maldade das pessoas. Entre todos os absurdos, lembro-me com clareza do dia em que fui acordada com a ligação de Paola, quando absurdamente teve que suportar a polícia adentrando sua casa, sem ao menos lhe permitir trocar de roupa, tudo para cumprir um mandado de busca e apreensão.
Na ocasião, foram mais de 10 policiais armados vasculhando sua privacidade por horas a fio, até a mochila de seus filhos que seriam levados para escola foi revistada e, no final, tivemos um relatório informando que nada do que foi apreendido nesta busca tinha relevância para a investigação.

Poderíamos tratar a reação à decisão como alívio apenas ou principalmente como uma questão de Justiça mesmo?

Talitta Maddy – Precisamos tratar essa decisão como uma questão de justiça, pois hoje foi com eles, mas amanhã pode ser contra qualquer um de nós. Termos decisões justas trás segurança jurídica não apenas para as partes, mas para toda as pessoas de bem que um dia podem se ver diante de uma acusação injusta.

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