Ou reforma ou reforma

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Quando o ex presidente e preso pelo cometimento de grossa corrupção que ele e seu partido protagonizaram estavam no poder, a reforma da previdência era encarada como tábua de salvação para a redenção da economia do nosso país. Houve vasta propaganda, pronunciamentos na TV, envolvimento de lideranças empresariais, toma lá dá cá com partidos e políticos num refestelar incessante e pródigo em comprar consciências e votos.

Foi uma reforma de mentirinha porque deixou de fora militares, classes de servidores mais abastados, castas salariais dos poderes legislativo e judiciário numa infinidade de benesses que anos depois fariam, como fazem, falta.

Nesse espaço de tempo o déficit previdenciário ampliou exponencialmente trazendo junto inflação e o descontrole das contas públicas que somente um choque fiscal e uma reforma séria e profunda podem conter, trazendo as contas públicas para o equilíbrio com a retomada dos investimentos e a confiança do capital estrangeiro.

Estamos diante de uma situação em que não há muita margem para demora na tomada de atitudes ou para discussões e análises infindáveis. Ou o país faz uma reforma profunda ou afunda numa crise orçamentária com a total perda do poder de investimento naquilo que gera emprego e renda que são a realização das grandes obras, ampliação da oferta de financiamento para grandes empresas, o que trás crescimento econômico, alta do consumo no comércio e nos serviços, aumento da produção industrial com consequente ampliação da base de arrecadação do governo trazendo junto mais investimento na saúde, na educação e na infraestrutura.

Não é o governo federal que quer é o país que exige uma reforma da previdência profunda e duradoura que permita a redução do déficit ano após ano e que faça o país respirar sem que tenha que cobrir, como vem fazendo há décadas, o rombo da previdência e que nenhum outro governo teve a coragem de assumir o enfrentamento dessa grave problemática nacional de peito aberto como o governo atual.

Notem que não há pressão sobre o parlamento, não há toma lá dá cá e não se vê corrupção no processo de discussão e votação da proposta de reforma em andamento.

Tomem tento senhores parlamentares  e assumam o protagonismo da reforma enviada pelo governo federal ou perderão a grande oportunidade de assumir verdadeiramente o papel de agentes catalizadores da vontade e da necessidade nacionais estampadas no apoiamento da sociedade que já percebeu claramente que a crise previdenciária é a grande responsável pela perda da capacidade do poder executivo em retomar os investimentos em áreas vitais da economia brasileira melhorando o padrão de vida da nossa gente especialmente os mais desamparados e que dependem totalmente do olhar e da mão do poder público e das políticas sob sua responsabilidade.

Reformas, como essa da previdência, não podem cair no vulgar reducionismo de que é de esquerda ou de direita; só precisa ser entendida e aplicada como extremamente necessária para um país em que a economia age como um iôiô ora pra cima ora pra baixo num eterno movimento cíclico que provoca crises e instabilidades econômicas e sociais com o galho sempre quebrando no lombo dos mais pobres.

Ninguém vai perder ou ganhar isoladamente; o ganho é coletivo e para o Brasil que deve estar acima de todos os sentimentos menores individualistas, ideológicos ou políticos.

Té logo!

*O autor é farmacêutico bioquímico e diretor-presidente da Fundação Hospital Alfredo da Matta

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