2020: ainda haverá espaço para a competência?

Por Ricardo Gomes*

Ainda traumatizados com o resultado (prático) das Urnas em 2018, principalmente onde apostaram no “Novo/Diferente/Renovação”, os eleitores olham desconfiados para o Processo Eleitoral que se avizinha, destinado à preencher as cadeiras dos Poderes Executivos e Legislativo dos Municípios.

Certo mesmo é que será uma disputa com regras diferentes de 2018, e mão ainda se comparadas às do pleito de 2016; lamentavelmente saímos das Eleições de 2018, e começamos um ano turbulento no Legislativo Federal, abarrotado de “Reformas”, com sinais claros de que entre essas, não haverá tem hábil para modernização da Legislação Eleitoral, ou seja: na maior parte das questões vamos jogar pelas regras antigas, sob Leis defasadas, que nem de longe tratam de questões ultra-modernas como publicidade digital, fake-news, propaganda depreciativa, fundo partidário, participação feminina, entre outras pautas, relegadas à “remendos normativos”, que, com certeza, em termos legais, vão permitir um Processo Eleitoral Municipal dos mais difíceis da história .
Sobre o perfil dos candidatos, é nítida a polarização nos perfis extremos: Direita e Esquerda e uma demonização do Centrão, com tendência mais acentuadas ao lado destro da questão.
Ficaram pelo caminho das últimas Eleições, vários bons nomes, que, por exemplo, não se elegeram Governador, ou Deputado Federal / Estadual, mas se alicerçaram com votações expressivas, algumas surpreendentes, o que leva à crer que não faltaram opções de qualidade, ficando o resultado final por conta da sensibilidade e bom senso dos Eleitores.
Óbvio que o cenário de qualidade é muito mais propenso à ocorrer em Manaus do que nas cidades do interior, mesmo as da RMM, por vários fatores, e não apenas pela falta de bons nomes numa safra de jovens opções, mas, em parte, por hábitos reacionários e culturais de grande parte dos eleitores, principalmente os mais humildes e/ou os das áreas rurais, ainda muito “sensíveis” às “velhas práticas eleitorais do interior”, onde, por razões historicamente óbvias, infelizmente, pesa muito o “uso da máquina” por quem está no poder e poderá vir candidato à Reeleição no próximo ano.
Candidatos de primeira tentativa, aos Cargos de Prefeitos das cidades do interior poderão ter a seu favor, não a jovialidade, mas a enorme rejeição que a quase metade dos prefeitos onde a reeleição é possível, na maioria dos casos, pela sórdida mistura de incompetência com má gestão, somadas à Nepotismos, enriquecimentos repentinos e inexplicáveis, abandono total de varias cidades e uma quase absoluta falta de transparência.
Nos Legislativos Municipais a tendência de renovação é questão de ordem, pois, na Capital e Interior, predomina na população a revolta com Vereadores que, na esmagadora maioria dos Municípios, quase todos tem perfil de capachos acéfalos, que nada fizeram, nem fazem, das suas funções mais básicas: Fiscalizar os Atos do Poder Executivo e Legislar, modernizando e atualizando a Legislação Municipal, e, é fácil apostar em renovações acima de 60% das Cadeiras, por Partidos menos tradicionais e políticos mais jovens e que demonstrem melhor formação, principalmente aqueles vindos do Serviço Público Federal, aprovados por algo que falta muito às Câmaras Municipais: Competência, ou oriundos da atividade empresarial, onde a biografia profissional se sobressai à pessoal ou indicações de apadrinhamento .
Certamente a população não tem um perfil exato do político adequado para 2020, seja para o Executivo ou Legislativo, porém, uma coisa é certa: o que não se quer, isto é, o “candidato” incompetente, Novo ou Velho, pois não é possível, nos moldes atuais, bem mais que em Gestões passadas, na era jurássica do papel, entregar a vida (Saúde, Educação, Água, Meio Ambiente), de milhares de famílias nas mãos de quem pretende uma aventura em 2.020.
*O autor é advogado, professor universitário e consultor.

 

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