O turismo brasileiro movimentou mais de R$ 238,6 bilhões no ano passado, gerando mais de 35 mil empregos. Mas esses vultosos recursos não têm chegado aos trabalhadores que atuam diretamente com os turistas, os guias, que estão passando por muitas dificuldades financeiras, por conta da paralisação de todas as atividades turísticas no país e no Amazonas. Muitos não conseguiram ser contemplados com o auxílio emergencial do Governo Federal, principalmente porque essa categoria ainda não foi inclusa no leque de profissões da política de benefício federal. No início do isolamento social, nacionalmente, lutaram para ter direito ao auxílio mensal de R$ 1.045, que não foi aprovado pelo Congresso Nacional.
Agora, a luta é para aprovar o Projeto de Lei no 213/2020, em tramitação na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), que lhes dará direito a esse auxílio de um salário mínimo pelos próximos meses, já que a categoria será a última a ter as atividades normalizadas. O assunto foi pauta da reunião virtual realizada na tarde desta terça (23), promovida pelo deputado federal José Ricardo (PT), a pedido do Sindicato Estadual dos Agentes de Turismo do Amazonas (Sindegtur). Com 450 profissionais regulamentados no Estado, se esse PL for aprovado, os recursos estaduais chegariam R$ 470 mil mensais (R$ 2,8 milhões ao longo de seis meses), com perspectiva realista de ser implementado, beneficiando os agentes de turismo.
O deputado José Ricardo destacou que o turismo movimenta a economia de muitos países, mas o Amazonas ainda tem um grande desafio, que é de fortalecer essa atividade. “É uma das atividades fundamentais para proporcionar desenvolvimento. Tem uma série de ações que precisam envolver o poder público, para ampliar seu leque de atividades. Manaus é porta de entrada da Amazônia e desperta olhar no mundo inteiro. Mas precisa priorizar esse setor e valorizar os profissionais dessa área”.
O Estado do Amazonas conta com um fundo especialmente criado para fomentar o turismo: o Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento (FTI), composto por um percentual do faturamento das empresas incentivadas da Zona Franca de Manaus (ZFM). “Em 2019, o FTI acumulou cerca de R$ 600 milhões, suficientes para investimentos no setor. Devido a dificuldades do Governo Estadual, grande parte desses recursos foi destinado à saúde e outras áreas. Temos que somar as vozes para que esse recursos sejam investidos nessa área, criando oportunidades e valorizando os trabalhadores, como os agentes de turismo”, disse José Ricardo, ressaltando que, quando deputado estadual, apresentou projetos e emendas à Lei de Diretrizes Orçamentária (LDO) e ao Plano Plurianual (PPA) para investimentos no turismo.
Guias são autônomos e precisam de ajuda
Carla Palácio, representante do Sindicato dos Guias de Turismo Amazonas, salientou que o segmento de guia turístico é autônomo, portanto, a primeira atingida em momentos de crise. “Diferentemente dos bares e restaurantes, por exemplo, precisamos do turista de fora para sobrevivermos. E a área do turismo tem sido esquecida há muito anos, mas piorou agora nessa pandemia, onde estamos sem auxílio emergencial para nossas necessidades básicas. Os recursos do FTI foram utilizados ano passado para a saúde. Tudo bem, foi necessário, mas nos deixaram sem apoio. Temos família como qualquer outro trabalhador”, disse.
De acordo com João Araújo, da Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), desde o início da pandemia, a Prefeitura de Manaus implementou algumas ações na área, em apoio às empresas de turismo e agências de viagem. Mas informou que existe proposta de Indicação da Câmara Municipal de Manaus (CMM) a ser encaminhada à Casa Civil, concedendo auxílio emergencial aos guias de turismo que estiverem cadastrados ao seu Sindicato. “Eles precisam de ajuda neste momento. Esperamos que essa proposta possa ser enviada à Prefeitura o quanto antes”.
Já para representante da Empresa Estadual de Turismo (AmazonasTur), Denise Lima, o Governo do Estado tem tentado contornar a situação a crítica da categoria diante dos impactos da pandemia. Ela destacou que o guia turístico é muito importante para economia local, pois é o elo entre o visitante e o produto. Por isso, a empresa estadual tem se dedicado a buscar soluções para resolver a situação econômica desses trabalhadores.
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