Policiais rodoviários federais reagiram com forte insatisfação após o governo deixar de fora o projeto de lei do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC). A Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais (FenaPRF) apontou privilégio à Polícia Federal por parte do Governo Federal mesmo ao final de meses de negociações com todas as forças de segurança da União.
A categoria vinha se mobilizando para pressionar por avanços no debate sobre a implementação do fundo e chegou a intensificar as cobranças na última sexta-feira (27/3), com atos realizados em todas as unidades da corporação pelo país, inclusive em Brasília. Na ocasião, policiais chegaram a ameaçar a interrupção de serviços que não estão legalmente previstos como atribuições da PRF, como as forças-tarefa voltadas ao combate de irregularidades no setor de combustíveis.
Diante da decisão, policiais rodoviários federais avaliam intensificar a mobilização e adotar novas medidas para que o governo federal assegure tratamento isonômico às três forças policiais da União. A avaliação é do presidente da FenaPRF, Tácio Melo.
“A expectativa gerada por esse compromisso, que visava destinar recursos essenciais ao aparelhamento, à qualificação e à valorização das forças policiais da União, foi agora frustrada pela informação de que a iniciativa não será mais concretizada. Trata-se do descumprimento de um compromisso público que afeta diretamente a capacidade de investimento na segurança pública e a valorização de nossos profissionais”, afirma.
A proposta de criação do fundo foi apresentada ainda na gestão do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e previa a destinação de recursos para investimentos institucionais e para a valorização das forças de segurança da União. Atualmente, porém, o projeto de lei encontra-se paralisado no Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).
“Ainda mais grave é a sinalização de quebra da isonomia no tratamento entre as carreiras policiais federais. Isso gera preocupação sobre a segurança jurídica dos policiais e sobre a previsibilidade das regras que regem a atuação das forças federais. Neste momento, nenhuma medida está descartada pela categoria, mas qualquer decisão será tomada com responsabilidade, sem comprometer a segurança dos policiais e, sobretudo, sem afetar a segurança da população que transita pelas rodovias federais”, acrescenta o presidente da FenaPRF.
Dados operacionais da Polícia Rodoviária Federal evidenciam a dimensão da atuação da corporação nas rodovias federais e no enfrentamento ao crime. Entre 2023 e 2025, mais de 22,8 milhões de veículos foram fiscalizados e 23,5 milhões de pessoas abordadas em todo o país. No mesmo período, os agentes realizaram 8,6 milhões de testes de alcoolemia.
As operações também tiveram impacto direto no combate ao tráfico de drogas. No intervalo analisado, foram apreendidas mais de 2,1 mil toneladas de maconha e 124 toneladas de cocaína, além de armas e outras substâncias ilícitas. As ações resultaram ainda na detenção de mais de 123 mil pessoas e na recuperação de cerca de 23 mil veículos.
Os números ilustram a amplitude do trabalho desempenhado pela corporação e reforçam a importância do fortalecimento institucional da PRF, especialmente diante do avanço e da sofisticação das organizações criminosas no país.
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