Empresário mobiliza voluntários e entra em igarapé para retirar lixo acumulado

Uma operação de limpeza realizada nesta quarta-feira (01), no bairro Flores, na Zona Centro-Sul de Manaus, resultou na retirada de aproximadamente 4 toneladas de resíduos sólidos do igarapé que cruza a avenida das Flores, no conjunto São João Bosco. Durante 10 horas de trabalho, o grupo de voluntários coletou mais de 400 sacos de lixo acumulados no local.

O mutirão foi convocado pelo empresário e ativista ambiental Matheus Garcia. Uma ação em resposta às sucessivas denúncias de moradores sobre o descarte irregular de resíduos na área. O problema, recorrente há anos, tem afetado diretamente a rotina da comunidade e as condições ambientais do igarapé.

Ao longo da operação de limpeza, Garcia destacou que a solução para enfrentamento ao acúmulo de resíduos em igarapés urbanos não se sustenta em soluções isoladas, mas exige articulação entre três pilares: o poder público, responsável por políticas, infraestrutura e fiscalização; a iniciativa privada, que pode contribuir com recursos, inovação e apoio a soluções sustentáveis; e a própria sociedade civil, diretamente impactada e peça-chave na mudança de comportamento e na preservação dos espaços.

“A imagem que vemos aqui hoje, é uma imagem que a gente só vai mudar quando a gente tiver a união dos três poderes: nossa sociedade civil, nosso poder público, e nossas iniciativas privadas. É necessário que a gente tenha conscientização e educação ambiental, mas a própria educação ambiental é uma política pública que, hoje, não está sendo colocada à serviço da sociedade de maneira própria”, pontuou o ativista ambiental.

É urgente a atenção para necessidade de medidas estruturais, que acompanhem ações efetivas, explica. “Estamos falando também de serviços de logística reversa das grandes empresas. E que o poder público também apareça, que ele realize palestras de conscientização nas comunidades que jogam o lixo aqui”.

“As pessoas da comunidade me dizem que não tem ponto de entrega voluntário próximo e que o serviço também de limpeza, do caminhão de lixo, não está passando como deveria passar”, complementa Garcia.

Segundo relato de moradores do conjunto, o problema existe há anos e não parece existir solução. O resultado é o cenário do mutirão, invadido pelo descarte irregular pela região, que desafoga na ponte da Rua Dom Jackson Damasceno. 

“Toda vez que chove fica esse acúmulo de lixo horrível. Isso é crime! Eu quero fazer um apelo aos órgãos públicos. Peço, como moradora, que façam algo sério e responsável para acabar com isso. E também apelo às pessoas, peço que usem a consciência” disse Madalena, moradora do Bairro Santa Cruz. 

POR TRÁS DO PROBLEMA

As mais de 4 toneladas de resíduos retiradas do igarapé ajudam a dimensionar um problema que, na prática, se acumula ao longo de anos. Em áreas urbanas, o descarte irregular de lixo em cursos d’água compromete diretamente o escoamento das chuvas, favorece o entupimento de canais e amplia o risco de alagamentos, especialmente em períodos de chuvas. O problema se torna cíclico.

“Eu sempre acompanho todas as ações do Matheus, o trabalho que faz. Quando vi o convite para essa, eu corri para participar. Em Manaus temos um problema muito sério: nós não temos um serviço de gestão ambiental, um plano para os resíduos sólidos. Nos últimos anos, Manaus ficou de forma descontrolada, com lixo por todo lado. Esse trabalho é importante para engajar a população e conscientizar”, disse o engenheiro ambiental Wanderlei Gomes, que também atuou na operação.

Dados recentes do Instituto Trata Brasil colocam Manaus entrou na lista das 20 cidades com piores indicadores de saneamento do país em 2026. O ranking considera critérios como coleta e tratamento de esgoto, acesso à água e eficiência dos serviços, e ajuda a contextualizar por que problemas como o acúmulo de lixo em igarapés ainda são frequentes na capital.

AÇÕES VOLUNTÁRIAS 

Mais do que a retirada do lixo, o propósito do movimento liderado por Matheus Garcia reforça o poder da mobilização e ação social como ferramenta de resposta rápida. Sem manutenção regular, fiscalização e mudança de comportamento no descarte de resíduos, áreas como essa tendem a voltar às mesmas condições.

“A gente bateu nossa meta de mais de 400 sacos de 200 litros cada um. Fechamos três carretas. Pelo nosso cálculo foram mais de três toneladas de lixo e, claro, ainda tem trabalho a ser feito. Fizemos a nossa parte aqui, a nossa contribuição. Ficamos dez horas na nossa ação. Estou muito feliz, realizado e eu quero agradecer a todo mundo que veio aqui, que fez sua parte, que contribuiu e que, hoje, pode fazer diferença na nossa cidade.

FOTO: Artur Gomes

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