Delphina Aziz recebeu desde 2022 mais que o dobro do total destinado ao João Lúcio e 28 de Agosto, os dois maiores hospitais de urgência do Estado

O Complexo Hospitalar Zona Norte, que compreende o Hospital e Pronto-Socorro Delphina Aziz e a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Campos Sales, recebeu de 2022 até hoje o repasse de R$ 420,5 milhões, mais que o dobro da soma dos investimentos destinados aos hospitais Dr. João Lúcio e 28 de Agosto, considerados as duas maiores unidades hospitalares que oferecem atendimento em urgência e emergência no Estado.

O HPS João Lúcio, localizado no bairro São José 1 e referência em neurologia e politraumas na região Norte, teve dotação orçamentária autorizada, de 2022 até o momento, de R$ 56 milhões. Já o 28 de Agosto, que fica no bairro Adrianópolis e que atende traumas ortopédicos, urologia e o único que possui um Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) no Norte do país, recebeu o aporte de R$ 95 milhões, também no mesmo período. Juntas, as duas unidades que concentram os maiores fluxos de atendimentos totalizam R$ 150.917.349,33 milhões em investimentos.

Do ano passado até maio de 2023, o Governo pagou R$ 420.477.818,93 milhões à Organização Social (OS) Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano (INDSH), que gerencia as duas unidades. No entanto, o hospital Delphina Aziz não funciona como porta de entrada para urgência e emergência e realiza apenas atendimento de média e alta complexidade.

Para o deputado Wilker Barreto (Cidadania), a diferença de R$ 270 milhões na totalidade dos recursos destinados e a desconformidade na execução dos serviços ofertados nas três unidades hospitalares configura uma grave falta de gerenciamento dos recursos públicos por parte da SES.

“O João Lúcio e o 28 de Agosto, somados 2022 até a presente data, consumiram R$ 150 milhões do contribuinte, os dois maiores hospitais do Amazonas e eu nem preciso dizer que ambos recebem toda a carga de urgência e emergência do Amazonas. E o que mais indigna é que o Delphina custou até hoje R$ 420 milhões, um hospital que se você chegar com o seu filho nos braços, você não entra porque eles vão te encaminhar para as duas unidades”, afirmou Wilker.

Mortes

Para Barreto, a má aplicação dos recursos destinados à rede pública de saúde vem culminando, de forma indireta, em mortes de pacientes devido à ausência de investimentos para solucionar problemáticas enfrentadas pela população nos hospitais como falta de medicamentos, filas de espera de pacientes aguardando cirurgias, equipamentos quebrados, estruturas precárias, entre outros problemas.

“Afirmo aqui desta tribuna que, de forma indireta, pessoas estão morrendo por negligência e falta de gerenciamento dos investimentos da saúde. Não pode um hospital de um tamanho colossal funcionar como se fosse uma UBS (Unidade Básica de Saúde), porque para mim o Delphina comparado ao 28 de agosto, tem uma produção de uma UBS, de um SPA. Se nós tivéssemos resolvido todas as cirurgias eletivas, não estaríamos aqui discutindo, mas as filas cardíacas, cirurgias ortopédicas e de vesículas não andam”, ponderou o parlamentar, que pediu aos colegas que apoiem requerimento que fará pedindo à Saúde que explique a situação.

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