A anciã Yakuy Tupinambá, que brilhou com um discurso forte de defesa das tradições durante a apresentação do bou-bumbá Caprichoso durante o Festival Folclórico de Parintins, fez postagem igualmente contundente nas redes sociais ontem defendendo a cunhã-poranga da agremiação, Marciele Albuquerque, que tem sido atacada por causa de sua participação no Big Brother Brasil 26, da Rede Globo de Televisão.
“A possível ideia de que ‘ela escolheu estar ali, ou que é uma planta’ costuma ignorar que o programa é um espaço explicitamente colonizador, que historicamente não reconhece nem acolhe corpos indígenas em sua plenitude”, disse ela.
Segundo ela, a cunhã sofre um “massacre digital”. “Em um ambiente que valoriza conflito, performatividade e exposição, essa forma de existir pode ser lida como ausência. Não é ausência. É deslocamento. E esse deslocamento tem sido punido com um massacre digital — ataques e deslegitimações que ignoram completamente o contexto histórico e cultural que atravessa sua presença ali”, afirma.
“Povos indígenas foram, por séculos, reduzidos a paisagem, silenciados e tratados como parte da natureza, não como sujeitos. Por isso, é possível que esse rótulo, mesmo sem intenção explícita, acabe operando dentro de uma lógica racializada que repete padrões coloniais de desvalorização e apagamento. Corpos indígenas não entram sozinhos em ambientes colonizadores. Entram carregando história, feridas e resistências. E isso merece respeito — não rótulo”, conclui a anciã.
Veja a postagem:
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