Clima esquenta em Coari depois que Prefeitura mandou rádio de opositor desocupar terreno

A temperatura política subiu muito hoje em Coari, depois que o procurador geral do município, Alberto Lúcio Simonetti Filho, encaminhou notificação à empresa DMP Design Marketing e Propaganda Ltda, dando prazo de cinco dias para que desocupe terreno localizado na estrada Coari-Mamiá onde funciona hoje a rádio Tiradentes, comandada pelo principal opositor do grupo que comanda a Prefeitura local, Robson Tiradentes (PSC – foto), que disputou a eleição de 2020 para prefeito e ficou em segundo lugar. A disputa deve se repetir antes do final do ano, em eleição suplementar decorrente da cassação do prefeito Adail Filho (Progressistas).

O terreno foi cedido à DMP, que controla a rádio Tiradentes de Coari, pelo ex-prefeito Arnaldo Mitouso, também adversário da família Pinheiro, em no dia 15 de agosto de 2011. O decreto dava prazo de 10 anos para a utilização do bem público. A atual administração, comandada pela prefeita Maria Ducirene da Cruz Menezes, a Dulce (MDB), que assumiu depois da cassação de Adail Filho e de seu vice, Keiton Pinheiro. Ela era presidente da Câmara Municipal.

Neste momento aguarda-se o julgamento de agravos interpostos por Adail Filho à decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que concordou com sua cassação. Vencida esta etapa, a nova eleição deverá ser marcada. Como não pode mais ser candidato, o prefeito cassado deve apoiar o próprio Keiton para sucede-lo. A Justiça Eleitoral entendeu que o gestor afastado não poderia exercer o novo mandato porque significaria o terceiro dentro do mesmo núcleo familiar – o pai, Adail Pinheiro, foi eleito em 2012 e ele em 2016, sendo reeleito em 2020.

Robson Tiradentes tornou-se o principal opositor dos Pinheiros justamente por causa de um programa na rádio Tiradentes, aonde montou uma trincheira de oposição.

O movimento de requerer de volta o terreno da rádio é interpretado pelo grupo Tiradentes como retaliação. A direção promete resistir e apelar à Justiça para evitar a devolução do terreno.

A concessão poderia ser prorrogada a critério Prefeitura, mas a assessoria do municípuo informa que pretende usar o terreno para construir uma Unidade Básica de Saúde que vai atender os moradores dos bairros Caracol, Naide Lins, São Sebastião, Ubucará, Vila Lourenço, Vale da Bênção.

“A Prefeitura rechaça qualquer insinuação de retaliação, uma vez que respeitou os termos do decreto de forma inequívoca. Neste momento a gestão entende que a necessidade de atender os anseios públicos são mais importantes do que atender a interesses privados”, diz nota distribuída pela assessoria..

4

Qual Sua Opinião? Comente:

Deixe uma resposta