Eu tenho a força!”

Milhares de crianças há mais ou menos quatro décadas atrás, ouviam e reproduziam essa célebre frase de um personagem de desenho animado com corpo de halterofilista que possuía uma força sobre humana. Este, empunhando uma espada enorme em meio a um clarão no céu, bradava esse jargão para defender do mal, seu reino em forma de castelo.

Hoje, quem tem e detém essa força, não é nenhum humano fortão ou bilionário, nenhuma empresa de comunicação, nenhum país, nenhum governante, nenhum partido ou empresa, nenhum time de futebol ou nenhuma entidade visível a olho nu. Nananinanão!

Quem manda e desmanda no planeta hoje, é um ser com tamanho de apenas alguns nanômetros e somente visto por meio de microscópio eletrônico de varredura e que não empunha nenhuma arma ou grita alguma frase de efeito pois ele, pra causar estragos, prescinde de quaisquer aparatos de ataque.
Pois bem, o coronavírus ou CoVid19 atualmente responsável pela pandemia (ainda não declarada) de gripe que assola o planeta, está causando uma revolução nos costumes, na educação formal, nas relações humanas, nas relações internacionais diplomáticas, comerciais e econômicas e vem impondo uma série de novas regras de convivência entre os seres humanos jamais experimentada.

Cidades inteiras paralisadas, vazias e com ruas desertas; hotéis sem clientela, desabastecimento geral de gêneros alimentícios e de primeiras necessidades; cidadãos em quarentena forçada em navios, hotéis e residências; feiras de negócios, convenções, congressos técnicos e científicos suspensos; eventos esportivos, culturais, viagens e férias sendo interrompidas ou adiadas.
Na economia dos países um tsunami de problemas com indústria de bens de capital e de consumo fechadas; insumos industriais como componentes eletrônicos e peças de veículos deixando de serem produzidos; fábricas fechadas ou com atividades suspensas; portos e aeroportos com baixíssimo movimento de importação ou exportação de produtos; bolsa de valores em queda vertiginosa com perdas consideráveis; moedas dos países mais dependentes com perda geral de valores; queda também na produção de veículos, de celulares, de eletroeletrônicos e de bens de uso doméstico especialmente de linha branca. Um prejuízo na casa do trilhão de dólares!
No setor agropecuário há visível e sentida queda na produção de alimento e redução de transação no agronegócio; no setor de serviços o absenteísmo causa enormes prejuízos nas atividades desenvolvidas e, no setor de entretenimento, com viagens de turismo e de eventos suspensas com bilhões de dólares de perdas.

Mas, são nas relações humanas em geral, que esse micro-organismo tem causado as maiores e revolucionárias alterações. O abraço, o afeto, o aperto de mão, o beijo de cumprimento no rosto, tudo isto está proibido por ora; reuniões inter familiares suspensas e comunicações somente por meio de redes sociais ou vídeo conferência; visitas e conversas com doentes nada presencial e somente por intermédio de telefone ou vídeos; casamentos e luas de mel adiadas; namoro de jovens somente pelo celular; boates, cinemas, museus, escolas e universidades fechadas; shows e espetáculos cancelados; shoppings, restaurantes, bares e lanches às moscas; nos ônibus, trens, metrô, táxis e demais meios de transporte o medo e o recreio dos usuários dominam a paisagem com todo mundo usando máscaras, evitando se tocar, pegar nas superfícies ou limpando tudo o que é tocado num gesto de quase obsessão por limpeza.

Lógico que em meio a tudo isso, há muito de desespero sem causa, gente em pânico, aqueles que exageram no comportamento e alguns que tentam ajudar acalmando quem precisa, porém, penso que a raça humana está aprendendo com essa pandemia que há muito mais perigos que rondam a nossa saúde, estamos reaprendendo que precisamos cuidar mais da vida e ter a compreensão de que a natureza ainda desconhecida e quando desrespeitada, usa das suas armas menores e mais letais para se defender.

Há sim em meio a tantos desalentos e angústias, avanços científicos consideráveis e em velocidade fora do comum em busca de vacinas e tratamentos adequados para frearmos as perdas de vidas e reduzirmos os danos à saúde da população.

Que recuperemos o domínio e voltemos a gritar que a força está conosco.

Té logo!

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