Por Ronaldo Derzy Amazonas*
Tenho escrevinhado por diversos temas nesses mais de quatro anos como articulista das segundas feiras aqui no Blog do Hiel Levy entretanto, escrever sobre perdas de entes queridos, o faço pela primeira vez e com o coração ainda apertado posto que em menos de dez dias o fim da vida chegou para três pessoas muito próximas.
A morte é um mistério insondável somente vencida por Jesus e por meio das pessoas as quais ressuscitou, sendo portanto, algo que o ser humano jamais poderá entender plenamente ou superar do ponto de vista biológico mas, para os que creem como eu, sabemos que existe uma enorme janela de esperança no final da nossa existência onde Deus, em suas infinitas bondade e misericórdia, aguarda os justos na Jerusalém Celeste.
Pois é com essa certeza que consola os vivos, que quero falar sobre a perda de três entes queridos os quais só preenchem de inefável saudade o vazio deixado.
Pela parte da família da minha mãe eram catorze irmãos todos longevos e, semana passada, quis Deus curar da dor e do sofrimento meu estimado tio Jamil Derzi aos noventa e oito de idade, levando-o para junto de si.
Homem vigoroso, espirituoso, de um linguajar rebuscado e sinceridade à flor da pele, tio Jamil com quem eu mantinha uma proximidade que extrapolava a simples relação familiar posto que me considerava seu filho, era daqueles cidadãos corretos e honestos a rarear por aí em meio a uma profusão de jovens e adultos que não deixarão legado algum para a sociedade.
Extremamente trabalhador e empreendedor, meu tio labutava de sol a sol como comerciante e, mesmo depois de aposentado, atuava de modo dedicado para sustentar sua linda família.
Deixará saudades e um vazio impreenchível na mente e no coração de cada um dos quais desfrutavam do seu agradável convívio. Descanse em paz Tio Jamil!
A segunda perda e igualmente sentida é de uma pessoa por demais amada por tantos quantos, como eu, tiveram o privilégio de conviver com ela e receber o carinho, a atenção, a ajuda e os cuidados especialmente os espirituais posto que pela proximidade que ela desfrutava de Deus, de Nossa Senhora e dos Santos, suas orações e intercessões em favor de quem precisasse eram prontamente atendidas.
Assim era a saudosa Tia Liney cuja família conheci no final dos anos de 1960 e em cujo seio dei os primeiros passos na vida de igreja católica aprendendo os valores cristãos e a rezar com fervor o Terço Mariano entre outros aprendizados os quais até hoje cultivo graças ao convívio com a família Albuquerque Silva.
Dona de casa dedicada, cristã devotadíssima, esposa exemplar, mãe extremada, amiga fiel e cuidadora, sua partida aos oitenta e cinco anos de vida, causa em cada um dos quais só ganhamos com sua convivência, uma perda quase inexpugnável porquanto, Tia Liney, era dessas joias raras humanas e humanitárias que já não existem mais por aí e que são difíceis de substituir.
Poderia aqui discorrer sobre muitos e muitos episódios e contar muitos e tantos fatos sobre a vida e os valores da Tia Liney dado que seus feitos, suas ajudas e intercessões espirituais foram tantos mas temo não ter o espaço necessário para escrevê-los e, paro por aqui, na certeza de que minha amada tia por adoção já se encontra entre os justos de Deus a gozar dos privilégios da Morada Celeste. Olhe por cada um de nós daqui da terra querida Tia Liney.
A terceira e não menos sentida porém prematura perda foi do meu amado irmão Raymundo Sandoval Filho, aos sessenta e cinco anos.
Bax, Sandoval, Sandoca, Raimundinho, foram muitos dos seus carinhosos apelidos; meu irmão guardava qualidades e virtudes as quais de longe suplantaram em muito seus pequenos e poucos defeitos.
Um filho varão muito admirado por meu pai de quem herdou e honrou sobremaneira o mesmo nome, Sandoval era um rapaz introspectivo e tímido, nada vaidoso nem ambicioso e extremamente generoso com os parentes e amigos.
Técnico em Edificações, Professor de matemática, Engenheiro Civil e empresário do ramo da construção, Sandoval Filho projetou na vida uma carreira invejável onde alcançou números quase intransponíveis dado o acervo que amealhou de um modo irrepreensível como Engenheiro.
Extremamente ético e preciso nos seus projetos e serviços executados seja como empregado ou empresário do ramo, meu irmão deixa um legado de boas e duradouras obras pelo nosso estado as quais hão de marcar sua passagem como profissional da engenharia que soube honrar e dignificar a categoria que abraçou com irrepreensível zelo.
Retorne em paz meu irmão para o convívio de Deus e que sua venerada mãezinha D. Lélia, seus irmãos, filhos, netos, ex esposas, parentes e amigos, possamos ter sempre de você as mais ternas e gostosas lembranças quando, sob seu convívio, desfrutávamos de belas e inefáveis manhãs e tardes seja na sua casa ou no seu sítio de descanso a escutarmos e nos deliciarmos com o tradicional cancioneiro popular, os boleros e a sofrência de amor pelas vozes de Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Silvio Caldas, Ataulfo Alves, Miltinho, Orlando Silva e uma profusão de intérpretes da boa MPB, sempre saboreando de uma gostosa cerveja que somente tu sabias guardar, oferecer e desfrutar entre parentes e amigos.
Deixas em cada um de nós um clamor de saudades pelo modo generoso que nos tratava a todos com fidalguia, com dedicação e com carinho.
Teus defeitos? quem sou eu meu irmão para descrevê-los pois, dos poucos que tiveste, um a um foram apagados pelas tuas inúmeras virtudes. Siga em paz Sandoval Filho na morada permitida aos justos. Te amo!
Té logo! saudades
*O autor é farmacêutico bioquímico e diretor-presidente da Fundação Hospital Alfredo da Matta
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