Poder Eleitoral x Poder Político

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Nem eu e com certeza a maioria dos eleitores de Bolsonaro e seus apoiadores tínhamos quaisquer dúvidas de que não seria nada fácil assumir o governo de um país destroçado moral e economicamente por sucessivos governos de esquerda cujo único projeto concreto para o Brasil era saquear os cofres públicos para se manter no poder alimentado por um sistema político denominado governo de coalisão caracterizado pelo fatiamento, entre os partidos, dos ministérios, estatais, empresas e universidades públicas e da distribuição generosa e irresponsável de milhares de cargos aos parceiros e aliados na mais grossa, deletéria e ampla corrupção que o país já experimentou.
Nenhum eleitor brasileiro sério, em pleno domínio das suas faculdades mentais e cônscio de seus deveres de cidadão, há de discordar que de fato o Brasil estava dominado por uma ampla teia de corrupção comandada por uma corja de políticos maus feitores, mãos leves, sacripantas, bajuladores e ladrões os quais se ajuntaram de caso pensado e de modo organizado para perpetrar uma das mais ignominiosas tramas politico eleitorais de que se tem notícia na história do nosso país, tão somente com o horizonte focado em se manter no poder por décadas a fio.
Quando o discurso nacionalista ecoou da boca de alguns políticos especialmente por meio do atual presidente da república e de muitos cidadãos que se insurgiram contra essa forma danosa e imoral de domínio do poder por meio do uso dos cofres públicos, o país despertou do sono profundo e quase mórbido e iniciou uma reação sacando do poder um partido e sua representante que foi eleita exatamente pelos meios espúrios da corrupção e do uso de dinheiro público que financiava campanhas, comprava votos, vendia ilusões e pouco se lixava para os problemas nacionais.
Pois bem, dois anos após um governo tampão igualmente corrupto, vacilante e pouco resolutivo, a nação brasileira e a maioria dos eleitores enojados com essa forma de condução política do país onde o dinheiro público era desviado de forma imoral, reage e elege um presidente cujas ideias se opõem exatamente contra o status quo vigente à época, impõe derrota a velhos caciques políticos e renova mais de setenta por cento das duas casas legislativas federais e escolhe o discurso do liberalismo econômico, da luta contra a corrupção, a favor do moralismo cívico e social, da luta pela vida, da defesa da família, pelo resgate dos valores cristãos e por uma educação pública livre do domínio ideológico esquerdista, entre outras demandas entaladas há décadas na garganta da maioria do povo brasileiro.
Cinco meses depois da tomada do poder pela direita e da tentativa de sustentar um discurso conservador, o poder executivo se depara com uma realidade política bem mais cruel posto que não basta ter capital eleitoral para implantar ideias e leis as quais convirjam para a normatização financeira, moral e administrativa do país.
Atualmente, no Brasil, o poder eleitoral esbarra no poder político de um congresso nacional viciado e carcomido por ideias e ideais ultrapassados, comandados por agentes totalmente atrelados às velhas fórmulas e formas de se fazer política e cujos interesses subalternos se sobrepõem aos interesses superiores da nação.
Ter capital eleitoral nem sempre é tudo se o capital político estiver no lado oposto e se esse lado oposto não tiver projeto de país, não agir com patriotismo, faltar-lhe grandeza política e pensar apenas em dificultar as ações e boicotar os projetos que salvem o país da derrocada econômica e do caos social. 
Creio, sinceramente, que não é fácil enfrentar a corrupção inculturada nos partidos e no poder legislativo; não se muda um discurso ideológico enraizado no âmago da vida cultural brasileira e não se combate o aparelhamento esquerdista das universidades públicas de uma hora pra outra; não se consegue em curto espaço de tempo limpar o país das ideias e das práticas sociais libertinas onde o principal alvo vinham sendo a família, nossos jovens e crianças.
Não foi fácil no passado e nem será fácil no presente! 
O presidente Bolsonaro e seus principais assessores enfrentarão as mais variadas, às vezes sinceras mas, na maioria das vezes, injustas e articuladas reações que partirão daqueles os quais derrotou o que é natural, de uma mídia ainda refém dos seus interesses nada republicanos e de uma classe política que olha o país apenas da sua aldeia porém, não têm a capacidade de pensar grande e de modo amplo para uma nação que depende da convergência de propostas, discursos e projetos.
Enquanto o pensamento for individual, individualista, paroquial e egotista, povo e nação brasileiros muito especialmente os mais pobres, caminharão para trás e sofrerão as agruras impostas por aqueles que pensam e agem ainda por meio das velhas e abjetas práticas políticas.
Que o poder político e o poder eleitoral caminhem juntos em busca de uma saudável convivência em favor do povo. O Brasil agradece.

Té logo!

ET. As recentes e democráticas manifestações contra a contenção de gastos na educação e a favor da reforma da previdência e de um código de leis sobre a criminalidade, demonstram que o país está maduro mais que nunca para conviver em meio aos embates e às adversidades ideológicas, políticas e sociais. 

Ontem, o povo retornou às ruas e passou um claro recado aos velhos e velhacos políticos de que está atento às manobras que visam frear o avanço econômico e social do Brasil e que, aqueles que ousarem impor um ritmo diferente ou mais lento para as necessárias reformas, fatalmente receberão no momento oportuno e nas urnas uma dura derrota.  

*O autor é farmacêutico bioquímico e diretor-presidente da Fundação Hospital Alfredo da Matta

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Este post tem um comentário

  1. João

    Discurso bonito, porém entremeado por uma falácia de cunho ideológico que domina esse governo e seus defensores. Na incapacidade de mostrar algo de bom e palpável aos seus cidadãos e também aos seus eleitores/defensores, que hoje já não são maioria, recorre aos devaneios ideológicos. Persegue quem se opõe e até mesmo aqueles que marcharam juntos num primeiro momento, porém neste momento discordam da maneira como o país é conduzido. Esse discurso já não funciona e está fadado ao fracasso. Verdadeiramente o Brasil é chefiado por um incapaz e na sua órbita puxa-sacos comissionados!

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