AS ‘ÁGUAS DE MARÇO’ E A ‘PÁ DE CAL’

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Águas de março é uma famosa canção do nosso maestro, cantor e compositor Tom Jobim lançada em 1972, cuja versão mais conhecida foi gravada em 9 de março de 1974, portanto há 46 anos, num dueto com Elis Regina. Disputa com Construção, de Chico Buarque, o posto de melhor canção brasileira de todos os tempos. Na época em que compôs esta belíssima canção, Tom Jobim havia sofrido com a perseguição política em um processo de censura durante o governo militar no país.

Na letra, Tom Jobim se utiliza da metáfora “águas de março” como representação das chuvas do final de março, que marcam o final do verão no sudeste do Brasil.

É pau, é pedra, é o fim do caminho

É um resto do toco, é um pouco sozinho

É uma cobra, é um pau, é João, é José

É um espinho na mão, é um corte no pé

São as águas de março fechando o verão

É a promessa de vida no teu coração

Apesar da letra de Tom Jobim aproximar a imagem da “água” [chuvas de março] a uma “promessa de vida”, o momento político que vivemos tanto aqui no Amazonas quanto em todo o Brasil neste mês de março de 2016 apontam muito mais para “fim de caminho” mesmo, tanto para a “cobra” [jararaca], quanto pro “João” [Santana], e até mesmo pro “José” [Melo] que levou um 6×0 no TRE. Além do que, as manifestações marcadas para domingo (13) poderão se tornar não somente no “pau” de Tom Jobim quanto na “pá de cal” de um mandato fadado a acabar em breve, pois “muito além dos problemas econômicos, o país é um fracasso na educação, na saúde e na infraestrutura básica. Como se não bastasse, uma pesquisa recente revelou que 21 das 50 cidades acima de 300 mil habitantes mais violentas do planeta são brasileiras”*.

É pau, é pedra, é o fim do caminho

É um resto de toco, é um pouco sozinho

É pau, é pedra, é o fim do caminho

É um resto de toco, é um pouco sozinho

Nilmar Oliveira é mestre em economia pela Universidade Católica de Brasília.

*Trecho extraído da Folha de São Paulo.

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