Por Ronaldo Derzy Amazonas*
Mario Sérgio Cortella, incensado filósofo e professor, define ética como um conjunto de princípios que serve para o ser humano discernir três grandes questões da vida: QUERO, DEVO, POSSO. Tem coisas que eu quero mas não devo; tem coisas que eu devo mas não posso e tem coisas que eu posso mas não quero.Aprofundando-se mais no tema, Cortella nos ensina que ter paz de espírito é quando o que você quer é o que você pode e é o que você deve e isso é definido pelo modular, pelo exemplar e pelos princípios da sociedade e por meio de normatizações.
Então caros leitores, definitivamente, peleguismo é um mal costume e um desvio ético e comportamental que não se coaduna com os ensinamentos cortellianos e com o qual a nossa sociedade, cujos traços do patrimonialismo burguês herdados do colonialismo europeu, nos corrói a alma posto que ainda enraizado no péssimo exemplo que muitos dirigentes sindicais especialmente no serviço público teimam em sustentar e reproduzir com a cara mais lambida, ora numa subserviência abjeta aos gestores e governantes, ora pela traição às lutas dos trabalhadores quando estes, na busca incessante por melhorais e diretos salariais, esbarram em sujeitos pouco dados à ética pois estes, mesmo com a ignominiosa desfaçatez de cobrar ética dos outros, não sabem distinguir quem é patrão e quem é associado pois estão atrelados, comprometidos e escravos de esquemas de trocas de favores, ocupações de cargos para si e para os seus e assumem, difundem e consolidam uma anacrônica e perversa política sindicalista que somente aos olhos dessa gente insensata e antiética parece correta. Vá-lha-nos quem?
De admirar que isso ainda persista em plena era de uma reforma trabalhista moralizadora e apaziguadora das relações entre patrões e empregados ou do surgimento de novas lideranças sindicais mais comprometidas com as duras lutas contra governos e empresários insensíveis mas creia, que essa forma sombria de fazer sindicalismo, está ainda muito viva principalmente nos fóruns e instâncias de negociação salarial dos servidores públicos os quais se veem no meio do fogo cruzado tendo que travar um duro diálogo com governos mas sabendo que suas reivindicações passam antes e ainda pelos interesses escusos de meia dúzia de representantes muitos dos quais se mantém lívidos e calados e outros que agem como matracas embora enredados até o gogó em redes de intrigas palacianas e dos porões de entidades sindicais formadas e mantidas por um dirigente só ou sem base alguma de associados.
Pior de tudo isso, é ter que assistir aos chiliques e abusos protagonizados por essa gente que se acha com a mais apoplética razão de se sentirem responsáveis pelas vitórias de pirro de antanho ou de ter que suportar a ciumeira diante das conquistas palpáveis e verdadeiras dos movimentos nascidos sob o manto, estes sim, da ética, da independência política e da moralização dos costumes no campo do sindicalismo público tão maltratado e tão achincalhado pela presença e pelas ações de gente desprovida de caráter e assumidamente associadas aos maus costumes e maus feitos alguns dos quais tiram proveito de suas relações escusas com ex governantes, ex primeiras damas e ex titulares de cargos do primeiro escalão na saúde os quais foram presos pelo mau uso ou pela má destinação de dinheiro público ou por beneficiarem dirigentes sindicais com duvidosos “tratamentos” de saúde em caríssimos hospitais de ricos e famosos em SP pagos com a grana que deveria ser gasta com a saúde do povo pobre do nosso estado. Mas disso quem está cuidando é o Ministério Público e a Justiça federais.
Voltando então ao filósofo Cortella, há que se refletir muito e dizer a essa gente repetidamente: “Tem coisas que eu quero mas não devo; tem coisas que eu devo mas não posso e tem coisas que eu posso mas não quero”, ou seja, QUERO ser sindicalista mas não DEVO me atrelar do governo; DEVO participar dos fóruns de negociação mas não POSSO posso trair meus companheiros; POSSO aceitar favores do governo mas não QUERO continuar a ser sindicalista.
Simples assim!
Encerro com outra emblemática tirada cortelliana:”É necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal”.
Té logo!
*O autor é farmacêutico e empresário
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