Quem como Trump?

Por Ronaldo Derzy Amazonas*

Um país de tradição milenar, um regime ditatorial, um déspota no poder, um povo massacrado sem emprego e sem perspectivas e uma onda de liberdade assomando pelos países vizinhos. Eis o caldo de cultura ideal para o início de uma guerra civil entre um povo acostumado a viver sob o jugo de um ditador inescrupuloso e insensível. Assim vive o povo da Síria atualmente.
Hafez al-Assad ditador que governou a Síria por longos 30 anos, pai do igualmente e atual ditador Bashar al-Assad, tinha fortes laços com a União Soviética pois foi lá que completou sua formação militar até dar um golpe de estado e se sustentar no poder com mão de ferro por três décadas.

Esse é o DNA que está impregnado na vida e na alma do filhote de ditador que teima em empurrar o país para o abismo sanguinário de uma guerra sem fim que em apenas sete anos já ceifou a vida de mais de 500 mil pessoas entre as quais mais de 100 mil civis, produziu 1,5 milhões de mutilados e empurrou para fora do país mais de 6 milhões de refugiados.

Produtora e exportadora de armas químicas, a ditadura síria tem reiteradas vezes descumprido  as resoluções da ONU e empregado essas abomináveis armas contra sua própria gente na tentativa de minar tropas rebeldes que querem derrubar o ditador atingindo de modo perverso especialmente crianças, mulheres e idosos estes, abrigados em cidades e bairros alvos de bombardeios cruéis por meio dessas armas proscritas por tratados internacionais que regem as guerras.

Advertido inúmeras vezes ora pela ONU ora por países do ocidente de que o conflito interno não pode se permitir ao uso de armas químicas, Assad mais uma vez deu de ombros para essas advertências e, semana passada, lançou mais um ataque a um reduto rebelde fazendo-se valer de bombas com um gás letal dizimando centenas de vidas de civis inocentes e, no meio, dezenas de crianças.

Ocorre, que diferentemente do ex presidente Obama que assistia a tudo isso apenas contemplativamente, o presidente americano Donald Trump ordenou um ataque fulminante e preciso, destruindo vários laboratórios e depósitos de armas químicas mantidos pela ditadura síria, ataque este que teve a participação igualmente importante da França e da Inglaterra.

Nem vou entrar no mérito das razões ou não do ato americano; não me arriscarei de analisar as consequências geopolíticas ou tirar conclusões sobre os interesses que circunscrevem o conflito e suas causas e efeitos; isso deixarei para os estudiosos de política internacional especialmente em se tratando de oriente médio; mas não me furtarei de pensar e exteriorizar minhas percepções acerca dos desdobramentos da atitude do governo Trump sobre os conflitos na região e seus velhos e conhecidos protagonistas que de ora em diante pensarão duas vezes antes de se utilizarem de meios inapropriados para resolverem seus dramas existenciais e suas guerras internas sem fim que destroem vidas de inocentes e sustentam governos cruéis e sanguinários em nome do poder absoluto ou de uma aliança que perpetua a guerra e impõe ao mundo anos de insegurança sobre a paz.

Pode não ser o primeiro e nem será com certeza o último ataque que a Síria, protegida pelo Irã e pela Rússia vai sofrer, entretanto, o emblematismo está em que de ora em diante o filhote de ditador vai perceber com clareza cada vez mais solar que suas investidas sobre gente inocente e sua permanência no pode estão com os dias contados.

Dá-lhe Trump!

Té logo!

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