A Associação das Travestis, Transexuais e Transgêneros do Amazonas (Assotram) promove nesta sexta (30) e sábado (31) o IX Workshop da Visibilidade Trans, com a finalidade de colocar em pauta questões referentes à saúde, trabalho, direitos e inclusão para a população trans do Estado. O evento, em alusão ao Dia Nacional da Visibilidade Trans (29/02), acontecerá das 8h às 18h, na Augusta Haus, situada na Avenida Petro Teixeira. 2673, no Dom Pedro, Zona Centro-Oeste de Manaus.
De acordo com a Assotram, o workshop é voltado ao debate sobre os desafios enfrentados pela população trans, como o acesso à saúde, a empregabilidade e o enfrentamento à discriminação. A programação reunirá profissionais, representantes da sociedade civil e de órgãos governamentais, com foco na construção de políticas públicas e práticas mais inclusivas, além de ações de conscientização e fortalecimento da autonomia da comunidade trans.
O IX Workshop da Visibilidade Trans contará com a presença de representantes da Secretaria de Educação do Estado (Seduc), Secretaria Municipal de Educação (Semed), Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (Semasc), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa-Manaus), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-Seccional AM), Fundação de Vigilância em Saúde Dra Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), Policlínica Codajás, Fundação de Medicina Tropical Dr Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejusc), Defensoria Pública do Estado do Amazonas, Ministério Público do Amazonas (MPAM), Ministério Público do Trabalho (MPT).
A presidente da Assotram, Rebeca Monteiro de Carvalho, explica que o Workshop abrirá espaço para apresentações e debates em plenária com a participação dos presentes, além de ser uma oportunidade de atualização de conhecimentos, discussão acerca dos desafios vividos hoje pela comunidade trans e aprendizado. “É importante que o evento reúna o maior número possível de representantes do movimento trans local como forma de marcarmos presença e reafirmarmos o nosso compromisso em favor da população trans do Amazonas”, afirmou.
Fiocruz mostra trabalho
Entre os participantes estará o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), representado pela pesquisadora social Rita Bacuri, que apresentará um apanhado sobre a atuação da instituição na área de pesquisa voltada para a saúde da comunidade trans do Amazonas. Para ela, a data comemorativa à Visibilidade Trans reveste-se de significativa importância por representar um ato político de resistência contra a transfobia e a pressão sistemática que as pessoas trans enfrentam diariamente. “Enquanto Fiocruz, temos um compromisso importante com a luta por direitos, igualdade e justiça para com essa comunidade, que é constantemente marginalizada e violentada no seu dia a dia”, afirma a pesquisadora, acrescentando que ser trans é um ato político e a visibilidade uma atitude de liberdade e emancipação. “Parabenizamos a Assotram pela iniciativa e, para nós, enquanto Fiocruz, a hora é de ampliar essas vozes, questionar as normas vigentes e contribuir para a construção de um mundo onde todas as identidades sejam respeitadas e valorizadas”, enfatizou Rita Bacuri
A pesquisadora destaca o compromisso da Fiocruz com a luta pela equidade, diversidade e inclusão. Desde março de 2023, a Fundação conta com a Coordenação de Equidade, Diversidade, Inclusão e Políticas Afirmativas (Cedipa), cujo objetivo é implementar ações que assegurem a efetivação das políticas institucionais da Fiocruz para equidade, diversidade, inclusão e políticas afirmativas, reconhecendo a pluralidade da instituição como um valor. Coordenada pela tecnologista em Saúde Pública Hilda da Silva Gomes, a Cedipa possui linhas de ação pautadas num trabalho que potencializa e fortaleça as dimensões presentes nos enfrentamentos ao racismo, capacitismo, machismo, misoginia, xenofobia, LGBTIfobia e diferentes violências de gênero e violações que comprometam o direito à vida das pessoas.
A Fiocruz Amazônia foi pioneira na execução de um projeto voltado para a saúde da comunidade trans. O TransOdara foi concebido com a finalidade de construir uma rede de pesquisa, para verificar a prevalência de sífilis e de outras Infecções Sexualmente Transmissiveis (ISTs), além de compreender os significados atribuídos a essas doenças em travestis e mulheres trans. O estudo, realizado entre os anos de 2019 e 2021, tem caráter transversal e abordagem quantitativa e qualitativa, tendo sido realizado, além de Manaus, em outras quatro capitais brasileiras: São Paulo (SP – região Sudeste), Campo Grande (MS – região Centro-Oeste), Porto Alegre (RS – região Sul) e Salvador (BA – região Nordeste).
Rita Bacuri coordenou a pesquisa em Manaus e relembra que a realização do projeto só foi possível devido ao apoio solidário das instituições locais e o empenho da equipe executiva formada por diferentes profissionais da saúde e principalmente a participação das mulheres trans e das travestis. Em Manaus, o TransOdara foi realizado no ambulatório de Diversidade Sexual da unidade de saúde Policlínica Codajás, no bairro da Cachoeirinha, Zona Sul, e ultrapassou a meta inicial de atendimento. Foram oferecidos os serviços de consulta médica, exames ginecológicos, ultrassonografia, mamografia, exames laboratoriais, vacinas e testagem para o vírus HIV e outras ISTs, todos de maneira gratuita.
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