Universitários fazem mutirão nas redes sociais para defender “Tia da Trufa”, atacada após protesto

Chamada de “vagabunda”, “depravada”, “promíscua” “velha”, “comunista”, “esquerdopata” e ”feminazi” depois de participar apenas de biquini do protesto contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), no último sábado, no Centro de Manaus, a autônoma Francisca Queiroz de Lima, que ficou conhecida como “Tia da Trufa” por causa da atividade que exerce nos corredores e ruas do Campus Universitário da Universidade Federal do Amazonas, está sendo objeto de uma campanha de defesa organizada por estudantes nas redes sociais.

Natural de Coari, Lima teve uma infância difícil, depois de sobrer queimaduras em boa parte do corpo aos 7 anos de idade. Chegou em Manaus por volta dos 32 anos de idade e trabalhou durante oito anos como diarista na casa de uma família, de onde saiu por conta de um problema no braço.

Foi quando um de seus filhos teve a ideia de vender trufas. Bem humorada, ela começou vendendo apenas no mini-campus da UFAM, mas logo em seguida conquistou todo o campus, ficando conhecida como a “Tia da Trufa”.

Ela sempre trabalhou duro, criou três filhos sozinha e nunca se mostrou fraca diante das situações adversas. Figura icônica, entra nas salas de aula, canta, dança, conversa com todos, levando sempre alegria e diversão para os alunos e também para os servidores.

“Ela nunca nunca negou seu amor pelo que faz e afirma até que gostaria de trocar seu nome para Tia da Trufa, em razão de ter se tornado uma nova mulher após ter começado a vender trufas. Eu a vi sendo atacada por pessoas que não sabem ao menos o que ela faz da vida”, diz o universitário Paulo Victor Penafort.

“Quer dizer então que mulher de biquíni ou nua tem que estar na indústria pornográfica e não lutando por direitos? Cada um escolhe sua forma de protestar, o que não vale é se utilizar da violência. Você tem o direito de não concordar, mas não de desmerecer ou julgar.
Respeitem a Tia da Trufa, respeitem elas”, acrescenta.

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